terça-feira, 13 de abril de 2010

Um lugar para pensar

Pode o pensamento livre assumir um carácter institucional? Livre só pode significar "com um horizonte de liberdade". Provavelmente, é no seio das instituições que o pensamento pode germinar produzindo consequências mais directas no tecido social. Ainda que muitas ondas e marés proliferem nas franjas da sociedade... O nosso país precisa de mais instituições deste tipo - lugares que eu vejo como espaços de abertura, espaços de liberdade. E é aí, que o próprio conceito de instituição pode ser pensado...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Primavera e Esplendor na Relva

Para reflectir? Ainda mais para os sentidos...
Diz (no sentir de alguns) uma primavera antes a uma primavera depois:

What though the radiance
which was once so bright
Be now for ever taken from my sight,
Though nothing can bring back the hour
Of splendor in the grass,
of glory in the flower,
We will grieve not, rather find
Strenght in what remains behind;
In the primal sympathy
Which having been must ever be;
In the soothing thoughts that spring
Out of human suffering;
In the faith that looks through death,
In years that bring the philosophic mind.

William Wordsworth, "Splendour in the Grass" in Intimations of Immortality from Recollections of Early Childhood

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Apesar de a luminosidade
outrora tão brilhante
Estar agora para sempre afastada do meu olhar,
Ainda que nada possa devolver o momento
Do esplendor na relva
da glória na flor,
Não nos lamentaremos, inspirados
no que fica para trás;
Na empatia primordial
que tendo sido sempre será;
Nos suaves pensamentos que nascem
do sofrimento humano;
Na fé que supera a morte,
Nos tempos que anunciam o espírito filosófico.

William Wordsworth, "Esplendor na Relva" (Tradução de Catarina Belo - Aqui)









Imagem de David Hockney:  pesquisa do Google

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Risos

Ela faz hoje anos e está tão crescida... Para mim, é ainda tão pequenina! Desta vez, a escolha é dela - um livro que leu num ápice. Pois... e como eu fico feliz com o facto de ter interesse pela leitura. Mas a melhor parte vai ser quando me explicar porque é que gostou tanto do "Sonho de Uma Noite de Verão"... (aposto que vão ouvir-se risos).

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«Canelas - Ó cavalheiros, isto tem de ser muito bem pensado. Deus nos livre de levar um leão para ao pé das senhoras. Não se podia fazer coisa pior. Não há criatura mais assustadora do que um leão. Temos de ter cuidado.
Biquinho - Então tem que se fazer mais outro prólogo para explicar que não se trata de um leão.
Canelas - Ná, há é que se dizer o nome dele e mostrar-se metade da sua cara por trás do pescoço do bicho; e ele mesmo há-de falar de lá de dentro e dizer uma coisa deste género: "Minhas senhoras" ou "Excelentíssimas senhoras, eu gostaria...," ou "queria pedir-lhes" ou "queria implorar que não tivessem medo, que não tremessem, por minha vida! Se pensassem que eu vim para aqui feito leão, coitadinho de mim. Ná, senhoras, não sou leão coisíssima nenhuma. Sou um homem, tal qual os outros homens." E então ele vai e diz o nome dele, e explica bem explicado que é o Atarrachado, o carpinteiro.
Marmelo - Está combinado. Mas há coisas mais difíceis de resolver. Por exemplo, achar maneira de pôr o luar dentro do salão. Porque, como se sabe, Píramo e Tisbe encontram-se ao luar.
Canelas - Não há problema. Vai haver lua cheia.
Marmelo - Está bem, mas nós estamos no palácio.
Canelas - Essa agora, é questão de se deixar uma janela aberta. E assim, o luar entra na sala.
Marmelo - Pois. Ou então vem alguém com umas silvas e uma lanterna e declara que vem arrepresentar a personage do Luar. Mas há ainda outro problema. Temos de ter uma parede lá no salão. A peça diz que Píramo e Tisbe falaram um com o outro pela fenda de uma parede. (...)»
in Sonho de Uma Noite de Verão, William Shakespeare (Versão Infantil de Hélia Correia) 



Imagem: pesquisa do Google

Foto de A.P.

sábado, 27 de março de 2010

Somos robots?


Não há como negar que os tempos são de reflexão, também no que diz respeito à relação do humano com a máquina. Possivelmente, alguns robots virão a proporcionar mais felicidade ao mundo do que muitos humanos. Depende de nós... e, provavelmente, dessa forma híbrida anunciada pelo futuro, a da incorporação tecnológica nas características humanas (ou o seu inverso).
- Para já: ... rock your body!



Sobre o tema ler mais  AQUI   (no Machina Speculatrix

Imagem Daqui


segunda-feira, 22 de março de 2010

Tempo paralelo

Uma das vantagens da idade é poder assumir o não se ter paciência para certas coisas. Hoje, tentei ver alguma coisa na televisão. O objectivo era descansar um pouco. Na verdade, fiquei perturbada. Gostava mesmo de saber quais os critérios usados na selecção de programas... porque tudo isto chega a parecer irreal. Talvez exista por lá um grande equívoco entre o significado de distracção e o de atrofia mental.
Bom mesmo, para descansar, é um momento absolutamente irrelevante, quando nos sentamos numa poltrona gira e confortável (não, a minha não é assim, mas fica esta como poltrona virtual, por agora), e ouvimos qualquer coisa fora do contexto.






Imagem: pesquisa do Google

quinta-feira, 18 de março de 2010

O governo do tempo pela prudência

Este interessante quadro de Ticiano mostra-nos três rostos, pintados sob o seguinte texto:

«Pela experiência do passado, intervém prudentemente o presente, para não estragar o futuro.»

Alegoria do Tempo Governado pela Prudência, Ticiano - 1565


Passado, presente e futuro entrelaçados no tronco comum do tempo, simbolizados por três animais: o lobo, o leão e o cão. Sem dúvida, o quadro transmite uma atmosfera algo fantástica. Por outro lado, devolve-me uma visão que talvez nunca seja demais actualizar: a do presente confrontado com a sua responsabilidade. Mas, na vivência actual, a do fast e do imediato, haverá ainda lugar para um tempo governado pela prudência?



Imagem: pesquisa do Google

segunda-feira, 15 de março de 2010

Reinventar a vida (na cidade)

Ai - o trabalho, os filhos, a saúde, e tanto mais... escoam o tempo ao longo dos dias na cidade. Quem dera mais minutos, talvez horas, para o que se guarda no universo paralelo da fantasia, da magia e invenção dos dias, para o que não se perde ao longo do tempo na cidade. Mais lugar ao que persiste e me leva a estar aqui.
Voltava do trabalho. O mar mesmo ali ao lado, cinzento cintilava no ar em promessas de sol,  e num  ainda vago azul esmeralda. A música no ar... Gostei.
Olá.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Kathryn Bigelow

Kathryn Bigelow
A primeira mulher vencedora do Óscar para Melhor Realizador(a) com "The Hurt Locker"


 Algo incompreensível é o facto de este filme ter passado por cá quase sem "dar nas vistas". É um filme de 2008, e esteve em exibição nas nossas salas de cinema em 2009. Agora, só o Dvd permitirá apreciar este trabalho que, segundo consta, é excelente. Em contrapartida, "Avatar"... até há pouco tempo atrás, não se falava de outra coisa. Como sou apreciadora de ficção científica, e porque gosto de acompanhar inovações tecnológicas, fui ver o grande acontecimento. Que me perdoem os aficcionados - quase adormeci no filme. Senti-me sufocada por tanta Imagem. Um perigo para a actividade neuronal, mas um poderoso excitante do nervo óptico. E mais não digo, já que não sou especialista. 
"The Hurt Locker" diz certamente muito aos norte-americanos, já que o contexto do filme é o da guerra no Iraque. Mas, julgo será igualmente significativo para o resto do mundo, pelo menos no que se refere ao horror e vacuidade da guerra, para lá das fortes emoções que ela possa suscitar. 

O vencedor - Melhor Filme




Imagem: pesquisa do Google

domingo, 7 de março de 2010

Em memória de Leandro

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças 
(Fernando Pessoa)


«Talvez estejamos no início de uma nova era na qual não nos limitaremos a ficar sentados à frente dos nossos televisores a ver crianças morrer e depois continuar a viver as nossas vidas abastadas sem sentir qualquer incongruência. Mas não são apenas as grandes crises dramáticas e com honras de noticiário que requerem a nossa atenção: há inúmeras situações, numa escala mais reduzida, que são tão horríveis e evitáveis como as maiores. Ainda que esta tarefa se nos afigure imensa, trata-se apenas de uma das muitas causas igualmente urgentes às quais se podem dedicar as pessoas que buscam um objectivo digno.»
in Peter Singer, Como havemos de viver? a ética numa época de individualismo




quarta-feira, 3 de março de 2010

Slow Motion


Em períodos desgastantes, há que abrandar. Ter tempo para viver devagar é um pequeno luxo aqui na urbe. Vou ali descansar mais um bocadinho, talvez olhar o tempestuoso mar. Depois volto... Mas antes quero homenagear este grupo de jovens, criadores de uma música original, com vagas reminiscências dos Joy Division. Conseguem a proeza de escapar ao ruído gratuito, e de anunciarem o século XXI com uma espécie de "alma urbana" que os coloca, a meu ver, nos antípodas da superficialidade. Terminam o tema Crystalised com um "go slow..." que me cativa. É gente nova e gira - os XX!





Nota: O grupo actua em Portugal no dia 25 de Maio na Aula Magna, em Lisboa. 

Imagem Daqui 

Regresso ao futuro

Muitas vezes, diz-se: nunca regresses a um lugar onde já foste feliz. Mas como não procurar todos os lugares que nos parecem compatíveis com...