
Há pouca poesia para dar
abro a janela expectante
poema entra de rompante
senta-se à mesa e diz
janta comigo depois
vê-te num tête-à-tête
senta-te de um a dois
poema conta-te a história
faca no ar sibilante
recorta longe a memória
pede-te inspiração
então
senta-te de dois a um
pendura por mim as velas
inclinadas no vazio
pequenos nadas que és
a toalha é amarela
por isso é uso estendê-la
bradante no seu esplendor
deixa-me servir-te o poema
colocá-lo em canto de prato
no espaço há outras palavras
que podes desarrumar
até ao caos cintilante
comer a estrelinha e rir
a vida passa no instante
assim poema é inquietante
sentada de um a mil sabias
que o ar adensa a poesia
inspiremos pois
Imagem: Belle Baranceanu, The Yellow Robe
