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domingo, 25 de março de 2012

pólens

a concentração de pólens está ao máximo dizem eles e cada espirro é assim como a libertação de um mal qualquer que anda espalhado pelo mundo sem estar identificado. uma espécie de carga existencial sem progresso corporizada no ar turvo e parado que cobre o céu todo sem se mostrar. as nuvens em Portugal formam-se com escassa densidade e assim como não nos trazem chuva verdadeira também não nos cobrem cerradamente. se assim fosse talvez um acordar qualquer por entre as horas de dias escuros surgisse. génese de nós então brilho cintilante um instante de fósforo transformador. mas é a lassidão que nos domina: o ar é morno e o temperamento também. a terra está ressequida e a memória adormecida. existe gente feliz como sempre existiu. o mundo ainda se enfeita pelas bandas do pequeno país junto ao mar. há risos e facilidades há doces capacidades e sortes a cumprir desejos. há lugares ao sol e reservas de água só para quem pode. há os que pisam com sorrisos e depois devoram. há selvas individuais que se deslocam no tecido social e ao meio-dia o entrelaçar das malhas surge nítido. não é preciso ver. há mais que fazer. mas há também este pequeno nicho abraçado pelo céu de hoje. a deixar passar predadores a deixar seguir o animal pessoa rumo à presa rumo ao lugar rumo ao poder. a cadeia alimentar socialmente sofisticada projecta milhares para o limbo antecâmara da morte lenta. tudo é náusea por antecipação. e quando o sol brilhar amanhã ou depois e a vida parecer tão bela como o mistério das partículas elementares tudo será esplendor na relva agora seca. deitados debaixo do céu onde tudo tem um tempo tudo será espera. providência divina ou um fardo de palha qualquer coisa virá. não a vida não é sempre bela. dentro dela nós somos. e o universo (quando não tem mais nada para fazer) pergunta: o quê?

Regresso ao futuro

Muitas vezes, diz-se: nunca regresses a um lugar onde já foste feliz. Mas como não procurar todos os lugares que nos parecem compatíveis com...