Supondo que tudo o que fazemos, e ainda mais, que toda a nossa acção, na medida em que possui uma intenção, tem efeitos na totalidade do Universo... sendo esta a visão do mundo pela qual procuro orientar-me, concluo não ser possível alhear-me da situação actual. Quero dizer, concretamente, como é da ordem do dia, não ser possível alhear-me da situação económica e financeira do país - em última análise, há que considerar a do mundo em geral. É certo que a posição de indiferença e de alheamento também teria influência, mas não foi essa a que escolhi. Tenho perdido largo tempo a tentar entender uma série de coisas. Na verdade, continuo sem entender uma enorme quantidade delas. Não sou esclarecida em economia, nem em mercados bolsistas, e outras coisas do género. Mas também é difícil encontrar os devidos esclarecimentos, aqueles que se impõem para uma intervenção consciente dos cidadãos. Por exemplo, não devia ser entregue à sorte o destino de notícias tais como "Portugal tem nota negativa por parte das agências de rating"; "Portugal passou de A+ para A-"; e outras tiradas do mesmo tipo. Obviamente, não seria capaz de explicar devidamente o que tudo isto significa - continuo a fazer esforços para entender, é um desejo de consciencialização. O que sei, e já é alguma coisa, é que a complexidade do nosso mundo "desenvolvido" actual é imensa, sobretudo do ponto de vista económico e financeiro. Acontecem coisas extraordinárias! como bancos que pedem empréstimos a bancos, e que fazem empréstimos a outros bancos que lhes pedem os tais empréstimos, sendo que depois estes os fazem a outros bancos que... (passe a rudimentar explicação); numa vertigem total, dentro da qual não se sabe bem onde está o dinheiro, ou até mesmo se ele existe (?).
Mas a busca de esclarecimentos também se revela labiríntica. É difícil encontrar visões abrangentes, claras e imparciais q.b. (dado que a total imparcialidade é impossível). Rapidamente entendemos, dando alguma atenção, que um tipo de explicação da situação (a explicação y, por ex.) é de esquerda, e que um outro tipo de explicação da situação (a explicação z, por ex.) é de direita. Mas é também quase de imediato que percebemos que tudo é muito mais tortuoso, porque são muitas as vezes em que a esquerda defende as perspectivas que tínhamos como sendo de direita, e há outras tantas vezes em que o inverso também acontece, sem sombra de dúvida. Fica a incógnita face a uma possível equivalência entre y e z, pelo menos para certos efeitos. Embora a equivalência, a confirmar-se, mostre ser uma daquelas simplificações que só transporta consigo mais obscuridade.
O que fica claro até ofuscar a nossa vista é apenas uma coisa: o esforço necessário para organizar coerentemente tanta e tão desconexa informação é hoje muitíssimo maior. Quase demove o mais perseverante. Ou não. Porque dependerá também do factor curiosidade, o qual trava uma luta acesa com o factor esgotamento. É que isto anda tudo ligado, convém não esquecer. Basta pensar na nuvem de cinzas que nos chega do vulcão na Islândia, uma espécie de eco do que nos segreda a natureza: "tudo é uno".