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quinta-feira, 3 de abril de 2008

Um poema especial

Admiro imensamente Jorge Luís Borges, mas confesso que nem é o meu poeta preferido. Dele, sem dúvida, prefiro a prosa.
No entanto, é dele um dos meus poemas preferidos, e nem sei explicar com exactidão porquê. Na verdade, embora possamos explicar muitas coisas, encontra-se sempre alguma coisa inexplicável. Muitos dizem que é o amor que assim acontece ser. E penso que esses também estão certos. Mas eu diria que, se há inexplicável que subsiste sempre, ele está contido sobretudo na poesia e na música.
Posso tentar esclarecer tudo acerca de um poema, acerca deste poema, mas o seu toque mágico e especial resiste-me e escapa-se. Não sei porquê, mas há muito tempo que permanece na minha memória, continuando a revestir-se dessa aura especial, sempre que o leio.
Seria imperdoável, do meu ponto de vista (subjectivo, é claro), não o colocar aqui.


Uma rosa e Milton

Das gerações de todas as rosas
Que se perderam no fundo do tempo

Que uma se salve do esquecimento,

Uma sem marca, sem sinal nas coisas

Que foram. O destino me depara

Este dom de chamar a vez primeira

Essa flor silenciosa, a derradeira

Rosa que Milton abeirou da cara,

Sem a ver. Oh tu, pálida ou vermelha

Ou alva rosa de um jardim já apagado,

Deixa magicamente o teu passado

Imemorial e neste verso espelha,

Ouro, sangue, ou marfim ou tenebrosa

Como em suas mãos, oh invisível rosa.

J
orge Luís Borges, El Otro, el Mismo



Imagem: The Sick Rose by William Blake


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Muitas vezes, diz-se: nunca regresses a um lugar onde já foste feliz. Mas como não procurar todos os lugares que nos parecem compatíveis com...