«A imagem da praia, este vislumbre dos representantes da cultura que gozam despreocupados à beira-mar os prazeres dos sentidos, distraiu-o e alegrou-o como sempre. (...)
Quero ficar, pensou Aschenbach. Que outro lugar seria melhor? E com as mãos cruzadas no colo, deixou que os olhos se perdessem na imensidão do mar, deixou que o olhar fugisse, se fundisse e diluísse na neblina monocórdica do espaço deserto. Amava o mar por razões profundas: a necessidade de repouso do artista fatigado que tenta encontrar abrigo na vastidão não complexa para as muitas formas e caprichos da sua fantasia; uma inclinação, contrária ao seu trabalho e logo também mais apetecível, para o desmedido, para o incomensurável e eterno, para o nada. Repousar na perfeição é o desejo de todos os que procuram a excelência; e não será o nada uma forma de perfeição?»
Quero ficar, pensou Aschenbach. Que outro lugar seria melhor? E com as mãos cruzadas no colo, deixou que os olhos se perdessem na imensidão do mar, deixou que o olhar fugisse, se fundisse e diluísse na neblina monocórdica do espaço deserto. Amava o mar por razões profundas: a necessidade de repouso do artista fatigado que tenta encontrar abrigo na vastidão não complexa para as muitas formas e caprichos da sua fantasia; uma inclinação, contrária ao seu trabalho e logo também mais apetecível, para o desmedido, para o incomensurável e eterno, para o nada. Repousar na perfeição é o desejo de todos os que procuram a excelência; e não será o nada uma forma de perfeição?»
in Thomas Mann, A Morte em Veneza
