uma coisa tão bonita como o céu imenso nunca poderás dar-me
e é por isso que te quero
ao raiar da manhã as cortinas quedam-se estupefactas
e eu impávida no desejo que voltes mais tarde sem nada
a não ser esse tu que és reinventado ao minuto
pelo eu que sou
depois as nuvens desmancham-se à noite
por nós
e não há beijos ou toques envoltos em promessas
somente a terra que se abre para nos recolher
os sonhos
e eu pergunto-te: porque é que a lua é só uma brincadeira para rolar
no corpo?
AP
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
domingo, 19 de agosto de 2012
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
o tempo do contexto
«Mas tu falas como se eu não tivesse a expectativa, a esperança, agora, que é quando eu julgo tê-las. Como se o que acontece agora, não tivesse um sentido profundo». - Mas o que é que quer dizer: «o que acontece agora tem sentido» ou «tem um sentido profundo»? O que é uma sensação profunda? Poderia uma pessoa ter uma profunda sensação de amor ou de esperança, com a duração de um segundo? Independentemente do que se passa antes ou depois deste segundo? - O que acontece agora tem sentido, neste contexto. É o contexto que lhe dá a importância que tem. E a expressão «ter esperança» refere-se a um fenómeno da vida humana. (Uma boca que sorri, só sorri no rosto de uma pessoa).
Ludwig Wittgenstein, Investigações Filosóficas
domingo, 12 de agosto de 2012
grandes questões
«Ouvi dizer que ela vem; estou todo o dia à espera dela». Isto é um relato sobre a maneira como passei o dia. - No decorrer de uma conversa descubro que se tem que esperar um determinado acontecimento e tiro esta conclusão com as palavras: «Tenho então agora de esperar que ela chegue.» A isto pode chamar-se o primeiro pensamento, o primeiro acto desta expectativa. - À expressão «Espero-a com saudade» pode chamar-se um acto de espera. Mas também posso pronunciar estas palavras como o resultado da minha introspecção, caso em que significam : «Assim, dado tudo isto, espero-a ainda com saudade.» A questão é esta: como é que se chega a estas palavras?
Ludwig Wittgenstein, Investigações Filosóficas
um mas que nada
gosto de acompanhar uma boa crítica. de reconhecer a força dos argumentos mas também a sua habilidade. a boa crítica não vem do nada embora existam críticas mais do que nulas. as críticas enfatuadas conseguem provocar desmaios no mais comum mortal assim atacado por elas na sua capacidade de discernimento. ah como me são fatais misturas sulfurosas de dasein e ich liebe dich ou poesias desfalecidas ao menor despontar da res cogitans... mas também as críticas automáticas de serviço que ao raiar de tudo o que possa apoquentar é só fazer enter na arma apontada ao inimigo.
mas quem escreve isto sou eu que até tenho um certo mau feitio e gosto de escolher o menú do pensamento. e confesso uma certa inclinação por raízes mesmo que invisíveis.
Fotozinha de A.P.
sábado, 11 de agosto de 2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
a saudade é um lugar familiar
em pleno Agosto podem sentir-se as maiores saudades. do que já foi já era e não volta mais. saudades do meu pai. parece que o vejo mesmo aqui neste velho postal sentado no seu banco escolhido olhando a baía de Luanda - o verso está escrito pela mão dele para o meu avô. conversar com o meu pai foi uma das melhores experiências da minha vida. começou aqui onde nasci.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
em homenagem ao Curiosity
...releio estas [por mim consideradas] sábias palavras:
A separação crescente entre tecnologia e necessidades humanas só pode ser preenchida pela ética. Nos últimos trinta anos vimos muitos exemplos do poder da ética. O movimento ambiental à escala mundial, baseando o seu poder na persuasão ética, registou muitas vitórias sobre o poderio industrial e a arrogância tecnológica. (...) Foi o movimento ambientalista que fechou fábricas de armas nucleares nos Estados Unidos, desde a unidade de produção de plutónio de Hanford até à fábrica de ogivas de Rocky Flats. A ética pode ser uma força mais poderosa do que a política e a economia. Infelizmente, o movimento ambientalista até agora tem concentrado a sua atenção no mal que a tecnologia tem causado, e não no bem que deixou de fazer. Tenho esperança de que a atenção dos Verdes se desvie do negativo para o positivo no próximo século. Vitórias éticas que põem fim a loucuras tecnológicas não bastam. Precisamos de vitórias éticas de um tipo diferente, que ponham o poder da tecnologia ao serviço da justiça social de um modo positivo.
Se concordarmos com Thomas Jefferson em que estas verdades são auto-evidentes, que todos os homens são criados iguais, que são dotados de certos direitos inalienáveis, que entre estes está a vida, a liberdade e a busca da felicidade, então também devia tornar-se auto-evidente que o abandono de milhões de pessoas ao desemprego e ao desamparo nas sociedades modernas é uma poluição da Terra pior do que as centrais nucleares. Se a força ética do movimento ecologista pode vencer os fabricantes de centrais nucleares, a mesma força deveria também ser capaz de promover o crescimento de tecnologia que satisfaça as necessidades dos pobres a um preço que eles possam suportar. Esta é a grande tarefa para a tecnologia no próximo século. O mercado livre, por si só, não produzirá tecnologia aliada dos pobres. Só uma tecnologia orientada positivamente pela ética pode fazê-lo. O poder da ética deve ser exercido pelo movimento ecologista e pelos cientistas, educadores e empresários preocupados em conjunto.
Se concordarmos com Thomas Jefferson em que estas verdades são auto-evidentes, que todos os homens são criados iguais, que são dotados de certos direitos inalienáveis, que entre estes está a vida, a liberdade e a busca da felicidade, então também devia tornar-se auto-evidente que o abandono de milhões de pessoas ao desemprego e ao desamparo nas sociedades modernas é uma poluição da Terra pior do que as centrais nucleares. Se a força ética do movimento ecologista pode vencer os fabricantes de centrais nucleares, a mesma força deveria também ser capaz de promover o crescimento de tecnologia que satisfaça as necessidades dos pobres a um preço que eles possam suportar. Esta é a grande tarefa para a tecnologia no próximo século. O mercado livre, por si só, não produzirá tecnologia aliada dos pobres. Só uma tecnologia orientada positivamente pela ética pode fazê-lo. O poder da ética deve ser exercido pelo movimento ecologista e pelos cientistas, educadores e empresários preocupados em conjunto.
Freeman Dyson, «Ética» in Mundos Imaginados (série de conferências realizadas em Maio de 1995)
[sublinhado meu]
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