terça-feira, 7 de agosto de 2012

em homenagem ao Curiosity


...releio estas [por mim consideradas] sábias palavras:

A separação crescente entre tecnologia e necessidades humanas só pode ser preenchida pela ética. Nos últimos trinta anos vimos muitos exemplos do poder da ética. O movimento ambiental à escala mundial, baseando o seu poder na persuasão ética, registou muitas vitórias sobre o poderio industrial e a arrogância tecnológica. (...) Foi o movimento ambientalista que fechou fábricas de armas nucleares nos Estados Unidos, desde a unidade de produção de plutónio de Hanford até à fábrica de ogivas de Rocky Flats. A ética pode ser uma força mais poderosa do que a política e a economia. Infelizmente, o movimento ambientalista até agora tem concentrado a sua atenção no mal que a tecnologia tem causado, e não no bem que deixou de fazer. Tenho esperança de que a atenção dos Verdes se desvie do negativo para o positivo no próximo século. Vitórias éticas que põem fim a loucuras tecnológicas não bastam. Precisamos de vitórias éticas de um tipo diferente, que ponham o poder da tecnologia ao serviço da justiça social de um modo positivo. 
Se concordarmos com Thomas Jefferson em que estas verdades são auto-evidentes, que todos os homens são criados iguais, que são dotados de certos direitos inalienáveis, que entre estes está a vida, a liberdade e a busca da felicidade, então também devia tornar-se auto-evidente que o abandono de milhões de pessoas ao desemprego e ao desamparo nas sociedades modernas é uma poluição da Terra pior do que as centrais nucleares. Se a força ética do movimento ecologista pode vencer os fabricantes de centrais nucleares, a mesma força deveria também ser capaz de promover o crescimento de tecnologia que satisfaça as necessidades dos pobres a um preço que eles possam suportar. Esta é a grande tarefa para a tecnologia no próximo século. O mercado livre, por si só, não produzirá tecnologia aliada dos pobres. Só uma tecnologia orientada positivamente pela ética pode fazê-lo. O poder da ética deve ser exercido pelo movimento ecologista e pelos cientistas, educadores e empresários preocupados em conjunto. 
Freeman Dyson, «Ética» in Mundos Imaginados (série de conferências realizadas em Maio de 1995)

[sublinhado meu]

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