Allah Yu Turgus um Urgus - Stand up and Dance!
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Inclinações naturais
«Schiller, a quem Herder chamou "o mais inspirado de todos os kantianos", opôs-se ao rebaixamento das inclinações naturais e troçou disso num belo epigrama. (...) (Gosto de ser prestável para os amigos, mas infelizmente faço-o por inclinação natural; por isso muitas vezes me torturo por não ser virtuoso). Mas não servimos apenas o amigo por inclinação; julgamos também os seus actos de amizade perguntando a nós próprios se ele os fez ou não por calorosa simpatia natural. Se fossemos kantianos puros e consequentes, faríamos o contrário: apreciaríamos acima de tudo aquele que, embora instintivamente nos detestasse, interrogasse a moral responsável e fosse por ela forçado a tratar-nos convenientemente, apesar das suas inclinações naturais. Na verdade, sentiremos quando muito, diante de um tal benfeitor, uma forma atenuada de respeito, ao passo que sentimos uma calorosa afeição por aquele que nos trata como amigo porque "lhe apetece" e isso lhe dá prazer, sem que lhe venha à cabeça fazer qualquer coisa que mereça o nosso reconhecimento.»
A questão evidente é a de apurar até que ponto as inclinações naturais são determinantes para o comportamento dos seres humanos, face ao peso de uma moral responsável. Posto que, à questão de saber se, no nosso caso, há inclinações naturais, Konrad Lorenz responderia afirmativamente. Pelo que também escreveu:
«(...) a moral responsável actua como mecanismo compensador num sistema do qual a inclinação natural - que não é necessariamente desprovida de valor - forma outra parte indispensável.»
Excertos de: Konrad Lorenz, A Agressão - Uma História Natural do Mal
[A minha pergunta inicial - "Que tipo de amigos preferimos?" - admite implicitamente a possibilidade de uma concepção/vivência da amizade fundada inicialmente numa moral responsável]
Imagem: Misty Gamble AQUI
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Com as primeiras chuvas
I woke up in my clothes again this morning
I don't know exactly where I am
I should heed my doctor's warning
He does the best with me he can
I don't know exactly where I am
I should heed my doctor's warning
He does the best with me he can
He says I suffer from delusions
Oh I'm so confident I'm sane
This can't be no optical illusion
So how do you explain
Shadows in the rain
Shadows in the rain
Oh I'm so confident I'm sane
This can't be no optical illusion
So how do you explain
Shadows in the rain
Shadows in the rain
Now if you see us on the corner
We're just dancing in the rain
I tell my friends there when I see them
Outside my window pane
Shadows in the rain
Shadows shadows in the rain
We're just dancing in the rain
I tell my friends there when I see them
Outside my window pane
Shadows in the rain
Shadows shadows in the rain
Shadows in the rain
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Ler é um prazer, conversar também
Que podemos fazer quando alguém escreve tão bem? Certamente, ler e reler - indiferentes a essa outra forma de tirania, a da eterna juventude.
«Como parte da consciência da sua existência, enquanto a velhice assaltava a mente outrora infantil, fez esforços ocasionais para visionar a sua situação tal como a ciência mostrou que ela era. Olhava para a meia-lua e tentava vê-la, não como a deusa Diana ou uma decalcomania de uma revista de banda desenhada, mas como uma esfera suspensa no vazio, com o seu lado iluminado como uma infalível indicação de onde o Sol brilhava, no outro lado da enorme massa redonda da Terra. Tentou imaginar a superfície sob os seus pés como sendo curva e a deslocar-se para trás, em direcção ao nascer do Sol. Com um esforço maior, tentou imaginar o vazio como algo parecido com a sua verdadeira vastidão, com cada estrela a anos-luz da seguinte e o vácuo quase-absoluto do espaço interestelar contendo partículas virtuais que, de alguma forma, geravam uma energia contrária à gravidade, empurrando e afastando as estrelas e as galáxias cada vez mais depressa, até o Universo se tornar invisível para si próprio, frio e escuro para todo o sempre, ámen. (...) As coisas eram como eram e tendiam a ser sempre iguais, geração após geração.»
John Updike, Os Guardiões in As Lágrimas do Meu Pai (colectânea de contos)
Uma conversa com John Updike
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
O sentido da vida...
...é este grande absurdo de criarmos tanto, sabendo que nunca poderemos ter a lua.
Wim Mertens - 4 mains
Foto: A.P.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
A ternura do mestre
Tetro é um filme que tão cedo não sairá da minha memória.
Uma fotografia de suster a respiração. Uma trama intimista marcada por instantes sublimes. Uma música belíssima. E a ternura do mestre. Coppola é, na maturidade da sua carreira, um verdadeiro mestre.
Perdi o filme no Estoril Film Festival. Voltei a perdê-lo mais tarde, por isto e por aquilo. Mas não poderia perdê-lo sempre. Está Esteve em reposição no Cinema King, em Lisboa, apenas no dia 04 de Setembro - feito para ver e rever, agora em DVD.
Sobre o filme no Lauro António Apresenta
sábado, 4 de setembro de 2010
Claro-escuro
"Sem dúvida, mesmo aquele que viveu de modo mais suportável percebe que, no todo, a vida é um disappointment, (...), ou, por outra, traz o carácter de uma enorme mistificação, quando não, ostentação."
(Schopenhauer, Do sofrimento do mundo)
Sinceramente, há dias nos quais tomar nota de certas notícias constitui um verdadeiro atentado à sanidade mental. Ouvi dizer, ainda há pouco, num programa da Sic Notícias (repetição sobre o processo Casa Pia- perdi o primeiro, pelos vistos), que Portugal continua a ser um país nas trevas. Que o país esteja em tal estado tenebroso, parece-me grave. Isto, a fazer fé no que afirmam as doutas pessoas com direito a tempo de antena.
Quem se sabe vivo nas trevas e, ainda assim, nas trevas fica, mais sombrio parece ser. Pois, é que dito assim, tal como ouvi dizer, eu não gosto. Parece que estão a chamar-nos nomes... Há que admitir , no entanto, a possibilidade de a existência humana ser um longo jogo de luzes e sombras... Verdade, verdade, isto é tudo muito vago. Afinal, o que são, exactamente, essas trevas? E o que é a luz? Talvez tudo fosse mais claro se nos elucidassem começando por aí...
Posto isto, dá vontade de brincar com coisas sérias, e dizer que tudo ficaria mais luminoso neste longo e interminável processo (um grande facto inexplicável); sim, seria um descanso, se tudo acontecesse segundo o modelo do Lie to me. Porque toda a mentira seria, então, rápida e eficientemente desocultada. Não sendo assim, eu começo por respeitar a justiça e as suas decisões, entretanto divulgadas, e, em simultâneo, mantenho também o meu respeito pela defesa que os visados continuem a empreender acerca de si, o que lhes é garantido pela mesma justiça. Na certeza, porém, de que o caso continuará a ser um verdadeiro paradigma da história interminável...
Posto isto, dá vontade de brincar com coisas sérias, e dizer que tudo ficaria mais luminoso neste longo e interminável processo (um grande facto inexplicável); sim, seria um descanso, se tudo acontecesse segundo o modelo do Lie to me. Porque toda a mentira seria, então, rápida e eficientemente desocultada. Não sendo assim, eu começo por respeitar a justiça e as suas decisões, entretanto divulgadas, e, em simultâneo, mantenho também o meu respeito pela defesa que os visados continuem a empreender acerca de si, o que lhes é garantido pela mesma justiça. Na certeza, porém, de que o caso continuará a ser um verdadeiro paradigma da história interminável...
(Agradeço ao Bicho Carpinteiro a dica relativa à divertida série Lie to me)
Imagem de Kumi Yamashita
Imagem de Kumi Yamashita
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Rentrée
Agora, que é hora de voltar à labuta, é bom relembrar: este mundo que amamos está repleto, ainda assim, de n coisas que é preciso melhorar e modificar. Há por aí, dispersa ou não, muita violência. Por trás de aparentes "quadros lindos", espreitam cenários que são, não só decepcionantes, mas, muitas vezes, verdadeiros quadros de horror.
Recomeçar a sério implica sempre um certo ímpeto de transformação. O que também conta para um mundo melhor, sem violência.
A propósito disto, ou por tudo isto, Bob Dylan continua excelente!
Bob Dylan - Beyond Here Lies Nothin'
Oh well, I love you pretty baby
You're the only love I've ever known
Just as long as you stay with me
The whole world is my throne
Beyond here lies nothin'
Nothin' we can call our own
Well, I'm movin' after midnight
Down boulevards of broken cars
Don't know what I'd do without it
Without this love that we call ours
Beyond here lies nothin'
Nothin' but the moon and stars
Down every street there's a window
And every window's made of glass
We'll keep on lovin' pretty baby
For as long as love will last
Beyond here lies nothin'
But the mountains of the past
And every window's made of glass
We'll keep on lovin' pretty baby
For as long as love will last
Beyond here lies nothin'
But the mountains of the past
Well, my ship is in the harbor
And the sails are spread
Listen to me, pretty baby
Lay your hand upon my head
Beyond here lies nothin'
Nothin' done and nothin' said
And the sails are spread
Listen to me, pretty baby
Lay your hand upon my head
Beyond here lies nothin'
Nothin' done and nothin' said
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
A Dança
La Danse é um excelente retrato da vida dos bailarinos d' L'Opéra de Paris. Ao longo das cerca de três horas deste documentário de Frederick Wiseman, acompanhamos o trabalho intenso e exigente de bailarinos e coreógrafos, mas não só... Todos aqueles que estão envolvidos no espectáculo, esse que nós descansadamente apreciamos sentados numa poltrona, são-nos aqui revelados. Isto, para o caso de termos esquecido que cada um é uma peça fundamental para obter o resultado final, assim como para a manutenção eficaz da vida desta instituição.
Apesar de ter achado o documentário um pouco longo demais, visionado sem interrupção, não gostaria de ter perdido a oportunidade de, entre outros grandes detalhes, acompanhar um pouco do trabalho mais recente que se faz ao nível da dança contemporânea. Le songe de Médée de Angelin Preljocaj (que já conhecia, com Blanche Neige), por ex., assim como as coreografias de Mats Ek (que desconhecia), pareceram-me momentos artísticos extraordinários.
Não é aqui esquecida a problemática relativa ao Estatuto da Carreira de Bailarino Profissional. Tratando-se de uma profissão de desgaste rápido, como sabemos, coloca-se a questão de determinar como deverá conferir-se-lhe uma adequada protecção social.
Uma pequena amostra coreográfica de Mats Ek
Mais sobre o filme AQUI
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Em modo lento
Agosto - está tudo dito. Este blogue anda cheio de Agosto!
Imagem: David Hockney, Three Chairs with a Section of a Picasso Mural (1970)
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Regresso ao futuro
Muitas vezes, diz-se: nunca regresses a um lugar onde já foste feliz. Mas como não procurar todos os lugares que nos parecem compatíveis com...
-
Fui ver 12 anos escravo . É um filme sério. Muito sério. Regra geral, a escravatura é tema abordado segundo a sequência: de uma tot...
-
Há poesias que nos visitam dos confins do tempo... É o caso da de Rumi , a qual, à medida que se descobre, tem o poder de nos levar a acredi...






