terça-feira, 14 de abril de 2009

Curtas


«Esta questão da velocidade é importante e muito complicada também. Velocidade não quer dizer ser o primeiro na corrida. Acontece estar-se atrasado devido à velocidade. Também não quer dizer mudar. Acontece ser-se invariável e constante devido à velocidade. A velocidade é ser-se apanhado num devir, o que não é o mesmo que um desenvolvimento ou uma evolução. Era preciso sermos como um táxi - (...).»

No devir apanhei mais uma música...




sábado, 11 de abril de 2009

A todos...





Uma Páscoa feliz!





... e música. Sempre!






I - A imagem no topo é um presente da Isabel/Artista Maldito. Foi um prazer abrir este "ovinho" - Liberdade e Brisa - no meu Domingo de Páscoa. Muito obrigada!

II - Fotografia de Rodney Smith


quarta-feira, 8 de abril de 2009

O Sol


O Sol que nos ilumina, nos dá calor e energia. O Sol que traz alegria a este nosso país. O Sol que tanto brilha, tornado especial, na poesia e na literatura, radiante para nos encantar. O Sol que é vida. O Sol dos tão actuais painéis solares...

Vale a pena conhecê-lo melhor e vê-lo de mais perto, de muito mais perto... O que és tu, Sol, afinal?!




A imagem é DAQUI - uma viagem ao maravilhoso mundo solar...



segunda-feira, 6 de abril de 2009

Catharsis musical - edição especial


Nota pessoal do dia: hoje acordei com uma sensação primeiramente desagradável, depois tranquila. Toda a catarse contém em si a possibilidade de expurgar um "mal". A sensação começou por ser a de uma espécie de náusea, uma agonia não só mental, mas existencial. Sem localização definida, a náusea provocava tonturas e vómitos. Não, não é nada de grave. Foi só uma rejeição orgânica, algo psicossomático, diriam alguns... uma pequena perturbação ligada ao nervo vago, talvez...

Mas quando fui à janela e espreitei o dia, vi que chovia. Ainda que levemente, essa água que vem do céu foi milagrosa. Limpou as ruas, limpou o céu, cintilou nos ramos das árvores... E a náusea desapareceu. A existência revelou-se tranquila com os seus factos irreversíveis, o correr do tempo inexorável revelou-se sábio e repleto de sussurros reconfortantes. A agonia deu lugar à tranquilidade da vida.

Um torpel de sentimentos situa o nosso corpo aí-no mundo. É a partir deles que "vemos", é a partir deles que pensamos. É paulatinamente que a vida ensina a amputar o que não faz parte de nós. O dilacerante que esse facto contém, a violência dessa auto-crítica, o longo tempo que leva a realizar-se, tudo isso é compensado pela serenidade da autenticidade.

Todo este pensamento-emoção, ou esta emoção-pensamento, toda esta náusea-serenidade, enfim..., todo este algo se concentrou numa simples emoção de prazer. Assim...




Existe aquela expressão interessante: "...que estranha forma de vida...". Poderá dizer-se agora: "...que estranha forma de agradecer...". Mas não sei fazê-lo de outro modo. Esta é a minha forma de agradecer a quem aqui me tem acompanhado. Futuramente, quero fazê-lo a todos esses(as), sem os quais este tempo daqui não faria sentido. Pelas imagens, cores e excelentes leituras:

Obrigada, Artista Maldito!



domingo, 5 de abril de 2009

António Damásio




Esta imagem representa (digo-o simplificadamente) a comunicação existente entre neurónios. O neurónio-emissor e o neurónio-receptor comunicam entre si (sem contacto directo), com o precioso auxílio dos chamados neurotransmissores. Assinalo este fenómeno porque julgo residir nele aquilo que podemos designar por "magia". Parece "magia". Porque é absolutamente fantástico e maravilhoso. E é o que ocorre no nosso cérebro constantemente, sem darmos conta.

Talvez esta pequena introdução, ou preâmbulo, consiga mostrar alguma da minha admiração pelo cérebro humano, assim como o meu maior respeito por quem se dedica a estudá-lo. É por isso que me congratulo pelo facto de António Damásio ter sido recentemente convidado para um programa de televisão ( Grande Entrevista na RTP-1), em horário nobre (no dia 02/04/09). Considerando essa enorme admiração que sinto pelo seu trabalho ( ao ponto de em tempos ter criado um blogue que pretendia prestar-lhe homenagem, intitulado Marcador Somático - infelizmente não disponho de tempo suficiente para desenvolver essa ideia com o rigor que exige); considerando, portanto, o meu interesse, curiosidade e admiração (repito) por este neurocientista português; por tudo isto, não poderia deixar passar aqui em branco a sua presença em Portugal, e a sua comunicação mediaticamente disponível ao grande público.

Um dos seus maiores méritos, além dos que são por demais evidentes, é o da divulgação científica que tem feito, de forma acessível à maioria, com os seus livros: O Erro de Descartes; O Sentimento de Si; Ao Encontro de Espinosa.



Nesta entrevista a que me refiro, Damásio avança alguns dados mais recentes sobre o estudo do cérebro e antecipa o futuro das neurociências e sua aplicação. Relembrando o funcionamento integrado do nosso cérebro, no qual razão e emoção não existem separadamente, mas sim como um todo - a razão informada pelos dados emocionais e a emoção como uma forma importantíssima de inteligência; esta noção que se traduz na superação do chamado Erro de Descartes, dá-nos uma nova perspectiva acerca de nós próprios: do modo como a nossa vida mental possui um fundamento biológico, aperfeiçoada no sentido de uma crescente complexidade, ao longo do nosso percurso evolutivo...

Damásio assinalou ainda a forte "programação" social do nosso cérebro: somos seres que vivem em comunidade há muito tempo. Também nos entreabre uma porta para o futuro, o qual, numa perspectiva que encerra um possível optimismo e alguma esperança, poderá ser o de evoluirmos no sentido da busca do bem-estar, dado que não somos seres que se contentem apenas com a sobrevivência. Espero sinceramente que venha a ser assim...

Um dos campos que nos cria maiores expectativas, com base nas investigações das neurociências, é o da memória. Todos queremos recordar-nos rapidamente, e sempre, de muitas e muitas coisas, mas... com o passar do tempo, a memória tende a falhar. Pois o futuro apresenta-se com a possibilidade de tudo isso ser ultrapassado com uma espécie de "pílula da memória". Virá de facto a existir?! Tudo parece indicar que sim.

Focou igualmente a problemática do chamado stress emocional: possuímos um cérebro mais lento e um cérebro mais rápido; o primeiro é emocional; o outro processa informação. O problema do stress pode residir precisamente neste desfasamento entre ambos: o emocional não tem tempo de gerar as emoções correspondentes à informação total que o outro processa. De notar o caso das imagens que assimilamos rapidamente, mas acerca das quais não há tempo para sentir as emoções que produziriam num mundo onde se vivesse mais devagar.

Finalmente, é de reter o que nos adiantou em relação aos tratamentos futuros para os estados depressivos: intervenções cirúrgicas realizadas com grande precisão, proporcionadas pelo conhecimento muito mais rigoroso e exacto do cérebro, como é o de que actualmente dispomos (em grande medida, graças às chamadas técnicas de imagiologia cerebral), a aprofundar e a aperfeiçoar no futuro. Nesta área, muitos apresentam reservas, atendendo aos fantasmas das lobotomias praticadas no passado. No entanto, os tratamentos com fármacos continuarão a ser válidos e utilizados.
A possibilidade, também ela algo "mágica", de eliminar a tristeza, parece-nos uma irrealidade. A ser verdadeira, de facto, coloca questões importantes e exige reflexão e debate, certamente, dada a necessidade de regular seriamente este tipo (e outros) de intervenção. É o futuro da Humanidade que está em causa. As neurociências mostram-nos um caminho. Como mantê-lo ao serviço do bem-estar de todos os seres humanos?

Um último aspecto que me pareceu deveras interessante nesta sua entrevista: segundo ele, o que de melhor possui para o desenvolvimento das suas investigações, nos EUA, é a partilha com outros investigadores, o trabalho em equipa, o gosto e a curiosidade em comum, assim como o crescente desejo de avançar, ainda que muito pouco de cada vez, no conhecimento do cérebro humano.



Vídeo da entrevista - RTP-1 AQUI


Imagens: pesquisa do Google


quinta-feira, 2 de abril de 2009

Momentos filosóficos - 4


Às vezes ainda me interrogo acerca do porquê dos filósofos questionarem o mundo. Quer dizer, suponho que uma pessoa possa chegar ao fim da sua vida, sem se ter debatido com questões ontológicas ou existenciais. Ter sido feliz e conseguir recordar o melhor da sua vida, sem se ter preocupado com coisas tais. Como, por exemplo, se o Ser é? e se o Não-Ser não é?, se o Ser é Uno? ou Múltiplo?, se existe Espírito para além da Matéria?, qual a natureza do Belo?, o que é o Bem,? e tantas, mas tantas, outras questões... Assim, de repente, podem parecer supérfluas, e não adiantar nada à nossa existência quotidiana, como se tudo continuasse a fluir do mesmo modo, com ou sem as questões, com ou sem respostas-soluções.

Afinal, porque é que, desde sempre, existiu e existe quem se preocupe com tal?!

Um outro aspecto a considerar neste meu relativo "espanto" (sim, porque ainda me "espanto", como assinalava Aristóteles) é o facto, igualmente inquietante, de existir quem tenha pautado a sua vida por princípios filosóficos, adoptando uma determinada postura ética perante a vida, levando às últimas consequências os seus ditos princípios. Recordo apenas, entre tantos casos possíveis de citar, o modo como Séneca se entregou à morte: de acordo com o seu estoicismo. Mas, afinal, vale a pena ser assim tão consequente? Ou não se trata, neste caso, de valer a pena? O que é valer a pena e o que é que, então, vale a pena? Será de seguir este raciocínio algo linear?: vale a pena o que é produtivo; o que é produtivo é o que nos beneficia; o que nos beneficia é o que nos traz bens; os bens são, geralmente, conotados com poder financeiro e poder de influências - logo, é isto que vale. Bom, na verdade, tudo isto vale. Mas reduz-se a isto o valor a adquirir? Ou existem outros valores, outros benefícios? É claro que isto é complexo de analisar. É claro que por detrás destas questões estão muitas outras...

Poderá rematar-se com a bela frase de Fernando Pessoa: "...tudo vale a pena se a alma não é pequena...". E tanto fica dito! Mas pressupõe-se, então, a alma e a sua existência. O que nos reenvia à questão, filosófica, sem dúvida, ainda que passível de ser tratada também noutros contextos.

Repetindo o mote: porque é que existe quem se preocupe com tudo isto? É certo que não conheço inteiramente a resposta. Mas, em parte, ela impõe-se-me com clareza: não é uma questão de escolha. Quer dizer, não é algo que se escolha, mas sim algo que acontece a uns e não a outros ( conclusão que avanço, mas que coloca a questão do livre-arbítrio/determinismo). Assim como alguém que pinta, ou que vive para a música, ou é que é apto a gerir finanças, não pode deixar de se entregar a tais actividades e respectivas configurações do mundo e da realidade. Do mesmo modo, há quem viva filtrando radicalmente essa realidade e auscultando-a quanto aos seus fundamentos, procurando uma configuração do todo que o torne inteligível, interrogando-se acerca dos princípios que melhor possam orientar a sua conduta...

Portanto, não se escolhe. É-se assim. E, no entanto, embora se imponha a distinção entre filosofar espontâneo e sistemático (inclusive profissional), não há quem não tenha uma postura filosófica. Mesmo aqueles que acerca de tais questões nunca se interrogam, esses mesmos possuem uma filosofia. Ainda que a um nível inconsciente, ela está lá, nas suas vidas, orienta os seus actos e implica sempre uma certa "visão do mundo". Faz parte da vida, faz parte de todos nós. Julgo que é esse, sem dúvida, o seu maior encanto.



Imagem: La morte di Seneca, Jacques-Louis David - 1773

quinta-feira, 26 de março de 2009

Formas de dizer...


Nem tempo tenho tido para "regar as minhas flores"...



Por outro lado, tenho tido imenso tempo para apontar, riscar e sublinhar...
ainda que não propriamente com esta mesma criatividade:



...à espera de tempo para descansar e para vos visitar. À espera de viver a Primavera!



Imagem: pesquisa do Google


sábado, 21 de março de 2009

Vanitas



-Auto-Retrato com Símbolos de Vanitas de David Bailly-



Deparei-me com este enigmático auto-retrato, quando lia o capítulo final de um livro sobre a memória. Fez-me pensar, mas também me transmitiu uma certa serenidade. Na verdade, acho-o interessantíssimo. E explico o motivo (o meu):

A necessidade de cumprir prazos... nunca deixa de me provocar ansiedade. Na verdade, tudo depende de prazos, ou seja, de limitações temporais. Se a vida decorre (e assim segue...) marcada pelo ritmo de prazos, tudo acontece de forma bem mais organizada. Sem prazos, cumprir-se-iam as tarefas, os trabalhos, as obrigações, até as devoções?!

O que realmente me ocorre, pela contemplação do auto-retrato de Bailly, é que a própria vida é um prazo. Disso se segue que deverá existir algo para cumprir dentro dele. Em última análise, esse algo que suponho pode ser um absoluto nada. Mas há um prazo. E é inevitável olhar para trás e recordar o que dele já decorreu, ou se gastou. Também parece difícil evitar fazer a projecção do que ainda se dispõe do prazo, para melhor o aproveitar.

Parece dizer-nos Bailly (em silêncio): "O prazo (a vida) decorre repleto(a) de vanitas. No entanto, não podemos prescindir disso." Cada detalhe da pintura parece mostrar o carácter absolutamente efémero da vida, incluindo o confronto entre o retrato do Bailly jovem e o do Bailly já grisalho.

E o quadro? Porque o pintou? É ele uma superação deste modo de ser transitório da vida? Afinal de contas, o pintor já cá não está. Eu estou. E, por enquanto (tal como eu), o quadro também está.

Se a reflexão com base na consciência da vacuidade da vida me parece importante, e até produtiva, não sou totalmente pessimista. Talvez seja a arte a "alimentar" o meu relativo optimismo. Pois, é verdade: este ano, os Dias da Música no CCB vão homenagear Bach. Não sei se por isso, certo é ter-me parecido que o David Bailly ficava muitíssimo bem na companhia deste violino.




Imagem e mais sobre vanitas AQUI

terça-feira, 17 de março de 2009

O fascínio de Leonardo da Vinci


Não é tão labiríntico quanto O Código da Vinci. Em contrapartida, parece-me bastante mais credível.





«Levado pela minha desejosa vontade, vagueio para ver a grande cópia das várias e estranhas formas feitas pela natureza artificiosa, retorcendo-me ainda mais por entre os sombreados escolhos, cheguei à entrada de uma grande caverna, ante a qual, fiquei assaz estupefacto e ignorante de tal coisa, os meus rins dobrados em arco, e posada a mão cansada sobre o joelho, e com a direita fiz sombra às pestanas baixas e fechadas; e continuamente dobrando-me aqui e ali para ver se dentro se discernisse alguma coisa; e isto vetando-me a grande obscuridade que lá dentro havia.»
in Código Arundel, Leonardo da Vinci



sexta-feira, 13 de março de 2009

Que estranho...


Pensando numa série de coisas, desde ontem que uma certa interrogação se impõe de modo recorrente ao meu pensamento. Por isso, tudo o que venha a dizer, só pode estar aqui, depois de dizer isto. Não é nada do "outro mundo", evidentemente. Aliás, devo ser uma das pessoas mais cépticas acerca de certo tipo de especulações. A minha mente racional e carregada de exigências de rigor nas provas, levanta sempre muitos obstáculos a questões/respostas no domínio do "desconhecido". Embora seja muito curiosa acerca de ...

Mas deparo-me com uma extraordinária coincidência. Daquelas que parecem estranhíssimas e muito improváveis. Uma noite, falava eu a um grupo de alunos (adultos), relembrando o caso de uma aluna (adulta) do ano anterior. Alguém que pude acompanhar de uma forma muito gratificante: alguém que queria introduzir uma grande mudança na sua vida, dando-lhe uma reviravolta, introduzindo novas metas, etc. Um caso admirável de desenvolvimento pessoal que se traduziu no prosseguimento dos seus estudos numa área totalmente diferente da sua actual área profissional. E citei eu, portanto, este caso, como exemplo a ter em conta no que toca a acreditar que podemos ir sempre mais além... se quisermos. Cheguei mesmo a afirmar que gostaria muito que ela estivesse ali para lhes falar ela própria de tudo isso... sabendo do entusiasmo que colocava nas suas palavras, quando falava dessa sua tão importante motivação para evoluir e conquistar o que parecia inacessível. E, assim, resumo em muito este caso. Mas fica o essencial.

Ora, eu não tinha tido mais notícias desta aluna desde Julho de 2008. Apesar de ter ficado falado que comunicaríamos. Mas as vidas a correr... tantas vezes não vão permitindo... Como é possível que precisamente no dia seguinte, após a minha referida conversa, eu receba um telefonema dela, a dar-me notícias da sua vida, em especial do curso que está a frequentar, a sugerir-me que participe num seu trabalho de investigação... enfim, a mostrar-me de novo o seu imenso entusiasmo pelos temas, pelas ideias e autores acerca dos quais eu e ela costumavamos estar em grande sintonia?!! Digo-o tal e qual como lho disse: "Como é possível?! Isto parece telepatia! Ainda ontem falei de si a um grupo de alunos!!"

Bom... há coisas extraordinárias! E gratificantes na sua simplicidade. Pois a verdade é que ela vai aparecer para falar de si e do seu curso aos colegas. Aceitou logo entusiasticamente a minha sugestão. Não consigo deixar de pensar nisto, nesta espécie de comunicação à distância sincronizada... após tantos meses de silêncio.

Procuro uma explicação. Mas ainda não a encontrei. Acho que sei muito pouco!

A propósito, é de ouvir esta voz tão especial:





Imagem: DAQUI

segunda-feira, 9 de março de 2009

Antes da Primavera




Ah esse tempo transitório que é mas também já não é. Esse tempo que queremos que passe e não passa. E às vezes queremos que perdure na sua transição e mesmo assim ele corre... Um tempo que ainda não é o que esperamos e se escoa na queda vertiginosa da esperança. O tempo que antecede a Primavera...

Assim se vive no meu país...




Regresso ao futuro

Muitas vezes, diz-se: nunca regresses a um lugar onde já foste feliz. Mas como não procurar todos os lugares que nos parecem compatíveis com...