segunda-feira, 6 de abril de 2009

Catharsis musical - edição especial


Nota pessoal do dia: hoje acordei com uma sensação primeiramente desagradável, depois tranquila. Toda a catarse contém em si a possibilidade de expurgar um "mal". A sensação começou por ser a de uma espécie de náusea, uma agonia não só mental, mas existencial. Sem localização definida, a náusea provocava tonturas e vómitos. Não, não é nada de grave. Foi só uma rejeição orgânica, algo psicossomático, diriam alguns... uma pequena perturbação ligada ao nervo vago, talvez...

Mas quando fui à janela e espreitei o dia, vi que chovia. Ainda que levemente, essa água que vem do céu foi milagrosa. Limpou as ruas, limpou o céu, cintilou nos ramos das árvores... E a náusea desapareceu. A existência revelou-se tranquila com os seus factos irreversíveis, o correr do tempo inexorável revelou-se sábio e repleto de sussurros reconfortantes. A agonia deu lugar à tranquilidade da vida.

Um torpel de sentimentos situa o nosso corpo aí-no mundo. É a partir deles que "vemos", é a partir deles que pensamos. É paulatinamente que a vida ensina a amputar o que não faz parte de nós. O dilacerante que esse facto contém, a violência dessa auto-crítica, o longo tempo que leva a realizar-se, tudo isso é compensado pela serenidade da autenticidade.

Todo este pensamento-emoção, ou esta emoção-pensamento, toda esta náusea-serenidade, enfim..., todo este algo se concentrou numa simples emoção de prazer. Assim...




Existe aquela expressão interessante: "...que estranha forma de vida...". Poderá dizer-se agora: "...que estranha forma de agradecer...". Mas não sei fazê-lo de outro modo. Esta é a minha forma de agradecer a quem aqui me tem acompanhado. Futuramente, quero fazê-lo a todos esses(as), sem os quais este tempo daqui não faria sentido. Pelas imagens, cores e excelentes leituras:

Obrigada, Artista Maldito!



11 comentários:

Artista Maldito disse...

Olá Ana Paula

Estive muito tempo a pensar na forma de lhe agradecer esta forma tão delicada que eu nem mereço, mas agradeço com tanto carinho e emotivamente.
É praticamente sem palavras, mas com o coração que lhe digo: BEM-HAJA!

Bem-haja pela sua generosidade, bem-haja pelos seus textos ricos e de reflexão que nos oferece, bem-haja pela sua disponibilidade, pois sei que o tempo é pouco e se disponibiliza a compartilhar connosco o seu saber, a sua forma de pensar e estar no mundo.

Um beijinho grande e com muito carinho
Isabel

Vieira Calado disse...

Há prazeres assim...

Não se sabe bem em que consistem.

Bjs

Vasco disse...

Por isso gosto tanto de chuva... :) Beijo!

contracena disse...

Bonito, Paula, muito bonito!!!

Beijinho,
Fátima

observatory disse...

a agua
lava a vala
lava e leva

o q... o q.

:)

bjº amigo

Violeta disse...

Passei para dizer olá e fiquei enternecida.
um bj

mdsol disse...

Paula:

Pela modestíssima parte que me toca foi muito bom ter descoberto este cantinho! É um prazer vir aqui!

:)))

Porcelain Doll disse...

Antes de aqui vir estava precisamente a pensar que gosto imenso do nome deste blog... não propriamente das letras, ou do som da palavra, isso talvez seja irrelevante, mas do que significa, talvez, concretamente, do que significa para mim a catarse, a metamorfose, a transformação... a chuva e o seu poder curativo.

A autenticidade e a verdade acerca de nós mesmos vale o sacrifício e a dor dessa amputação...

Beijinhos!!

via disse...

destas emoções e da disponibilidade para as reter, c'est ça, momentos mágicos! bjo

Donnola disse...

que belo texto, apetece esgravatar as ideias

partilha de silêncios disse...

Paulatinamente a vida ensina a amputar o que não faz parte de nós e surgem esses momentos mágicos, de uma serenidade tão tranquila que nos possui inteiramente. E sem nos darmos conta, sentimo-nos unos com ela. Uma espécie de iluminação que nos envolve nessa sensação de bem estar que não sabemos justificar, mas fazemos questão de agradecer à vida, esses breves momentos.

Que eles se repitam, muitas e muitas vezes ao longo da sua vida.

um beijinho