
O estado do mundo, já se sabe, é preocupante. Sempre o foi. Sempre o será, certamente. A perfeição não é dom do ser humano. Mas impressiona-me demais o acréscimo da violência que nos é transmitida diariamente. Dizem que sempre existiu. Pois sim, acredito. Mas, hoje, faz parte das nossas vidas diárias e concretas. Se, por um lado, isso é positivo, porque nos alerta para o que vai por esse mundo fora; por outro, transporta-se, de facto, para o nosso convívio diário com a realidade.Ainda hoje vi algumas imagens de inacreditável barbaridade: algures nos E.U. A., a condutora de um autocarro foi brutalmente espancada por alguém que nele entrou, ou nele viajava, não posso precisar. Não consegui ver tudo. A forma louca e transtornada como era espancada... uma violência que me pareceu vir do mais fundo (reprimido) daquele ser... o facto de aquela mulher estar totalmente exposta à brutalidade e sem protecção... desviei o olhar... Terrível! Estamos bem longe do progresso!
Pode ser considerado evasão, é possível que o seja, mas também pode ser simplesmente a necessidade de alguma serenidade: dou por mim sempre muito fã de olhar o firmamento, qual Sócrates nas Nuvens de Aristófanes. Mas Kant também afirmou ser o céu estrelado uma das duas coisas que nunca deixou de lhe provocar espanto e admiração (sendo a outra a existência de uma lei moral). Olhar os céus, muito provavelmente, não resolve os problemas na terra. Mas ajuda a relativizar factos, acontecimentos e actos que podem parecer, então, totalmente desnecessários e irrelevantes.
Por tudo isto, qual não foi a minha alegria quando uma das minhas filhas me surpreende com esta pergunta difícil (para mim): "Porque é que a estrela polar indica o norte? Mas porque é que o indica sempre?" A verdade é que o espanto e a interrogação podem ser tremendamente espontâneos e desconcertantes. Confrontada com este problema, para não a desiludir, foi preciso perder bastante tempo a clarificar ideias, e a elaborar uma explicação relativamente simples e plausível de algo que não o é propriamente. Mas valeu a pena! Passei umas horas excelentes às voltas com a Estrela Polar( Polaris)!
Aqui fica ela:
Pode ser considerado evasão, é possível que o seja, mas também pode ser simplesmente a necessidade de alguma serenidade: dou por mim sempre muito fã de olhar o firmamento, qual Sócrates nas Nuvens de Aristófanes. Mas Kant também afirmou ser o céu estrelado uma das duas coisas que nunca deixou de lhe provocar espanto e admiração (sendo a outra a existência de uma lei moral). Olhar os céus, muito provavelmente, não resolve os problemas na terra. Mas ajuda a relativizar factos, acontecimentos e actos que podem parecer, então, totalmente desnecessários e irrelevantes.
Por tudo isto, qual não foi a minha alegria quando uma das minhas filhas me surpreende com esta pergunta difícil (para mim): "Porque é que a estrela polar indica o norte? Mas porque é que o indica sempre?" A verdade é que o espanto e a interrogação podem ser tremendamente espontâneos e desconcertantes. Confrontada com este problema, para não a desiludir, foi preciso perder bastante tempo a clarificar ideias, e a elaborar uma explicação relativamente simples e plausível de algo que não o é propriamente. Mas valeu a pena! Passei umas horas excelentes às voltas com a Estrela Polar( Polaris)!
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Imagem: Women observing stars, Chou Ota























