sábado, 21 de fevereiro de 2009

Problema


E a que vem esta minha dor de cabeça (já tomei medidas...)?!



A falta de tempo, problema de que não sou certamente a única a queixar-me, também se prende com tudo aquilo que queremos fazer. Acontece que os meus livros estão a ficar num estado que não me inclui a mim: o estado de se lerem a si mesmos, porque eu quase não tenho tempo para eles... e não é só falta de tempo, é também uma questão de disposição.

Bom... se a vida pode ter fases desgastantes, se ela decorrer numa grande cidade tudo isso se agrava. Não há tempo para apreciar borboletas, não há tempo para observar os belos pássaros, quase não há tempo para uma refeição.

No meio de muitos afazeres, um destes dias, aguardando a minha vez numa fila qualquer, uma rapariga chamou-me a atenção: tinha vestida uma t-shirt - acho que verde vivo, ou azul, não posso precisar. O que me atraiu foi o que nela estava escrito: adira ao movimento slow. Já tinha ouvido falar, já li um pouco sobre isso. Estou a pensar inteirar-me melhor, logo que tenha tempo!



Se conseguir acabar o livro que estou a ler, este será um dia raro e também um dia útil!



Imagens: Tranquility Base e The Book Which Reads Itself, 2007, Nicola Dale





20 comentários:

alice disse...

gosto de pensar que a leitura está reservada àquelas horas do dia que não cabem na agenda, ou seja, fica para depois do trabalho, depois da casa, depois da família, fica para um momento só nosso, entre nós e o livro, o que nem sempre é possível em 24 horas... beijinhos, ana paula

bom fds!

mdsol disse...

Percebo. Não é só falta de tempo físico (chamemos-lhe assim), mas também ausência de tempo "psiclógico" (chamemos-lhe também assim, para facilitar). Independentemente da utilidade que isto tenha para si... a mim acontece-me o mesmo! E tenho-me por pessoa que gosta de ler!
Vale que... continua a escrever...
:))

Vasco Matos disse...

Lagos é uma slow city, sabias? E espero que tenhas terminado o livro, beijinho!

isabel disse...

Há tanto tempo que te sinto...em ar rarefeito :) É preciso fazer "xôoo" e afastar as más energias!!

Adoro os dias úteis. E há uma versão dos Clã da qual gosto muito também (fui à procura mas não encontro...)

Um beijo grande

CNS disse...

É sem dúvida como diz: A falta de tempo, mal que me assalta cada vez anda de mãos dadas com as nossas opções de vida. E as nossas opções de vida? O que nos leva a toma-las, para além da nossa vontade?

um beijo

poemar-te disse...

Olá! Pois, nós dizemos sempre "logo que tenha tempo". Parece uma doença. Creio que somos dependentes de muita coisa que, se virmos bem, talvez seja inútil. Às vezes até me questiono se ler serve para alguam coisa... Cada vez dou mais valor ao conversar, ao falar, ao acto físico e psicológico de estar com o outro. Sei lá. Penso também que me aculturei em demasia e, agora tornei-me dependente e viciado numa série de coisas. Talvez eu não esteja a resolver bem os meus "chacras" e depois diga, não tenho tempo... Bem. Aproveita esta pausa e respira. Também vou tentar. Tudo de bom.

RAA disse...

Sou adepto do vagar :|

poemar-te disse...

Esqueci-me de dizer que a foto é óptima. Onde a encontras-te? Bom fim-de-semana.

Artista Maldito disse...

Bom Dia Ana Paula

Esperemos dias melhores, este mal parece que, de um modo ou de outro, nos afecta a quase todos. A imagem do livro a desfolhar-se está magnífica.

Vamos então abrandar e levar a nossa leitura para um cantinho silencioso de um jardim.

Beijinho e um óptimo Domingo,
Isabel

daniel disse...

Já somos dois, deixei "pendurados" (ou esquecido) tantos livros nas estantes empoeiradas, que já nem sei... =) Enfim, todos (ou a maior parte) nós somos escravos do tempo! Já dizia o Pessoa, no poema "Liberdade" (interpretado pelo saudoso Villaret):

"Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca..."

p.s.: não resisti a colocar um poema do Pessoa... enquadra-se bem neste tema... =)
Bom post!

Artista Maldito disse...

Voltei Ana Paula, esqueço-me sempre de qualquer coisa. Tenho na minha lapela um selo adequado a este tempo de dores de cabeça: SOMOS MULHERES BEM RESOLVIDAS:))

Um bom início de semana e beijinho
Isabel

contracena disse...

Paula, sou igual a todos(as) com qualidades e defeitos e às vezes tão rezinga... . Palavra, que hoje, se não tivesse comentários, eliminava a publicação. É verdadeira: a M. de Manuela existe, o link recebido pela 2ª vez também..., mas hoje entendo-a como um "post" desnecessário.
E agora a tua publicação:
- Não foi preciso clicar no "play" para saber que ia ouvir o Sérgio Godinho a cantar "Dias Úteis". Também gosto do Sérgio.
Olha, durante anos não tive tempo para nada e ao mesmo tempo tive tempo para tudo. A "adrenalina" era muita, mas eu adorava. Foi a "fase" da minha vida em que me senti verdadeiramente realizada, tanto pessoal como profissionalmente.
Agora estou num momento (fase) demasiadamente "slow" - não me agrada nada, mas a "culpa" é só minha.
Mesmo que não tenhas acabado de ler o livro e leias apenas uma página por dia, será um dia útil dos "Dias Úteis".

Beijinhos, Paula.

via disse...

qualquer dia aparece aí um comerciante de tempo, quem tiver a ideia pode estar certo de ficar rico, rapidamente! ainda bem que encontraste um bocadinho, enjoy it!

mié disse...

Olá Ana Paula

"Em definitivo, o movimento Slow é uma fonte de prazer, útil para se afastar de uma vida estandardizada regida pelo ponteiro do nosso relógio de pulso, submetida por uma velocidade que erradica a nossa capacidade para desfrutar do momento esperado quando este finalmente se assoma."

Acho que sim, que fazes bem em aderir ao movimento slow,...logo que tenhas tempo :)))

Eu já aderi sem saber que estava a aderir :)) e já há muitos anos.
Vida boa a minha :))

...e eu nem estou cá :)

Um beijo enorme
terno

mdsol disse...

Voltei para dizer que espero que a dor de cabeça tenha ido embora!
:))

Donnola disse...

posso dar uma sugestão? talvez seja o momento para largar o q é supérfluo :P

Frioleiras disse...

pois... acontece a todos....
foi o que a nossa sociedade fez de nós... robots sem qualidade e sem espaço para respirarmos o que gostamos...............

eu... 'carnavalei' como gosto. com máscaras e amigos e uma sensação de ausência de alegria de desperdício de alma e de cor ficou em mim.

creio também que esta crise nos absorve e absorveu dum modo tão violento que é também uma das razões pela qual nos falta a disposição para ler, para admirar as ávores já em flor ou... simplesmente divertirmo-nos com amigos, como dantes.

há uma falta de disposição geral para tudo e uma ausência de esperança no dia a dia que nunca em toda a minha vida senti. (e eu que adorava ler... vibrar com o que me rodeava etc etc)


um beijo para e... haja esperança em dias melhores.........

Ana Paula disse...

Obrigada a todos!

A dor de cabeça passou... acabei o livro, finalmente! E até comecei outro :)

Não sei se vou conseguir ser verdadeiramente slow alguma vez, mas se conseguir abrandar um bocadinho, uma ou outra vez, já não é mau. Entretanto, soube, sim, sr., Lagos é uma cidade slow, tal como outras no Algarve. Para quando a Grande Lisboa? :)

Também é verdade que a disposição psicológica é talvez o mais importante. E aí, o trabalho a fazer é imenso. Sobretudo atendendo a um ar muito cinzentão que está instalado no nosso país, talvez no mundo, talvez em nós... (apesar do sol brilhar, agora).

Problema, problema, é distinguir o supérfluo do que não o é. Sobretudo porque, às vezes, o que o é, revela-se vital para viver o que não o é. Eu e a minha mente "filosófica" :):):)

Um abraço a todos (as)!

Donnola disse...

ok :P

(sem filosofar: o q é superfluo é o "ruído" ou o "desprezavel" ou as casas decimais de um numero inteiro com 10 digitos :DDDDD)

Ana Paula disse...

Donnola, isso é mesmo «o supérfluo», o verdadeiro! Obrigada pela definição :)

Um beijinho