quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Darkness - pura alquimia


a vida não é toda um longo passeio claro, pois não?




I caught the darkness, it was drinking from your cup
I caught the darkness drinking from your cup
I said "Is this contagious?"
You said "Just drink it up"

I got no future,
I know my days are few
The present's not that pleasant
Just a lot of things to do
I thought the past would last me
But the darkness got that too

I should've seen it coming
It was red beyond your eyes
You're young and it was summer
I just had to take a dive

Winning you was easy, the darkness was the price.
I don't smoke no cigarette, I don't drink no alcohol
I ain't had much love again
But that's always been your call
Hey I don't miss it baby
I got no taste for anything at all

I used to love the rainbow
And I used to love the view
Another early morning, I'd pretend that it was new
But I caught the darkness baby
And I got it worse than you

I caught the darkness, it was drinking from your cup
I caught the darkness drinking from your cup
I said "Is this contagious?"
You said "Just drink it up"



segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Os Descendentes

Os Descendentes (2011), de Alexander Payne, transporta-nos com grande facilidade para o mundo das peripécias de uma família não muito convencional. Apesar do grande drama envolvido na história que nos conta, tem um lado de humor que ao mesmo tempo é ternura e amor. Os descendentes são obviamente aqueles a quem passamos o testemunho, mas de que descendentes falamos, hoje? De que modo conseguiremos mantê-los próximos? O tema é bastante actual e consegue tornar-se divertido, com o realismo descomplicado e descontraído que o realizador imprime ao ambiente geral, mas sobretudo com os monólogos de um pai algo desajeitado que se questiona a si mesmo a cada passo. É preciso, portanto, referir o grande papel representado por George Clooney, aqui com um visual em tudo completamente diferente daquele a que nos tem habituado. Rivaliza certamente com Gary Oldman pelo seu George Smiley em A Toupeira, na corrida para o Óscar de Melhor Actor. Para mim, estas estatuetas constituem apenas uma referência, e penso que estão longe de premiar o que de melhor se faz por esse mundo fora, em termos de cinema. É assim que, quanto a esta questão, apesar do brilhante papel de Clooney, continuo a preferir a interpretação de Gary Oldman. Digo isto também porque tudo neste filme tem um certo gosto a Óscares. E talvez seja essa sua faceta a que menos apreciei: uma grande dose de óbvia manipulação das emoções do público, a par de alguns tiques bastante conservadores, disfarçados de grande modernidade. Não deixa de ser compreensível, pois o que era uma vez na América é certamente, hoje, mais do que nunca, uma sociedade que procura desesperadamente manter valores familiares, em busca de história, memória e tradição. Apesar de tudo acontecer no Hawaii... é algo profundamente americano. 
Claro que ver George Clooney descalço, com barba de três dias, e cabelo ora desgrenhado, ora algo empastado, não é sempre. Por outro lado, acho que eu até gostaria de viver no Hawaii, mas não aprecio nada camisas havaianas. E que colecção ele nos mostra! Vale a pena ver.


sábado, 28 de janeiro de 2012

ser

é mais à hora do meio que eu compreendo o cinismo
há um intermédio do dia e muito compreensível
que as minhas horas depois rompam pela janela
é o caso
despedacemos os ismos



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

5 X 9 = 45 é pouco

Drawing Hands, M. C. Escher

Há temas importantes aos quais sou obviamente extremamente sensível. Um deles é o da pedagogia. A que se aprende nos livros técnicos que têm estado em moda pode ser útil, mas as suas limitações são gritantes. Por outro lado, renascem como fénix's à espera de uma aberta por entre temporais, os teóricos da memorização. Pois creio que levar crianças e jovens a debitar conteúdos incompreendidos, e a ter que pedir licença para pensar, resulta no estilo "é pior a emenda que o soneto". Existe certamente alguma outra forma mais consistente de conduzir a bom porto aqueles que frequentam a escola pública, para além destas soluções tão desajustadas quanto extremadas. Melhorar a educação deve significar progresso e não retrocesso. Eu sou do tempo em que se faziam cópias e se corrigia a ortografia a poder de repetição das palavras escritas em caderninhos imaculados para o efeito. O mesmo para a tabuada. Se isso me ajudou? Claro que sim. O que é que eu senti quando mais tarde, em tempos incertos pós-25 de Abril, me pediram para pensar? Um prazer imenso. Dois bons motivos, entre outros, para defender o rigor em liberdade.



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

p.f. incomode

Não conheço praticamente nada que consiga dar adequada substância aos acontecimentos dramáticos do mundo, quanto o faz o total e renitente silêncio. Só ele, por exemplo, é capaz de dar real corpo à profunda tristeza. Mas o silêncio tende a ser, por natureza, o lugar do incomunicável. E nós somos seres comunicantes. Não é uma justificação, tão só um preâmbulo aqui esboçado, que serve para manifestar o meu forte desagrado perante notícias como esta.
Posto isto, não é excessivo relembrar que os graves problemas da nossa sociedade são estes (e outros que tais), e não a perene discussão acerca do "sexo dos anjos", com a qual se entretém grande parte dos que assumem as maiores responsabilidades neste país. Que tal se, por exemplo, a comunicação social, em vez de apontar casos desgarrados, aqui e ali, sobre a situação dos idosos em Portugal, chegasse a apresentar-nos artigos sérios sobre o assunto? Que tal debater isto até à exaustão, por aí? Começo a crer que este país, além de velho, está saturado.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Filosofia prática

O professor fala. Noventa minutos sobre noventa minutos. Diariamente. Ouve-se permanentemente a si mesmo. Olha o que disse. Vê o que disse. Pesa-o. Até questionar o seu próprio discurso. Mas eis que noventa minutos vêm para o melhorar. Para o re-interrogar. Para o repetir. Para o modificar. Para o levar para casa. Para o dissecar. Para o reorganizar. Para acrescentar. Para subtrair. Para repetir. E continuar. Sem descansar. Vem um pequeno intervalo na vigília do pensamento. O que é só o instante em que o sol se põe. Mas eis que a noite prepara o dia. Para repetir. Para questionar. Para interrogar. Para corrigir. Para perder sentido. E encontrar sentido. No discurso. Nas afirmações. Nas negações. Nas interdições. E a liberdade. Impossibilidade. Reconhecimento. Mais o estranhamento. O professor navega no movimento incessante do ser. No silêncio cheio de discursos. No momento entre. No instante agora. No inevitável de proferir palavras. O que o professor diz é sempre à hora. Sem demora. Diz.
Mas não há becos sem saída - e o professor sorri.


[dedicado a todos os companheiros(as) de profissão, presentes no meu dia-a-dia, com a minha maior admiração]


sábado, 21 de janeiro de 2012

...e de quente

é só muito muito bom





falando de frio

O Norge em Spitsbergen (Maio de 1926)

«Não podemos deixar de relembrar que, enquanto todas estas peripécias tinham lugar, uma violenta caldeirada política começava a levantar fervura. Desde 1922 que a Itália se tornara um país fascista; de resto, a palavra foi ali criada (de fascio, palavra italiana que significa "feixe" ou "unidade"). O seu fundador foi Benito Mussolini, um homem com todas as características do que aí vinha: autoritário, vaidoso, impiedoso, populista e não muito inteligente. A Itália de Mussolini tornou-se uma ditadura precoce (a par do regime salazarista em Portugal), proporcionando um molde aproximado a Hitler e Franco, alguns anos mais tarde.
No entanto, ao princípio o movimento fascista parecia mais inócuo do que mais tarde se revelaria. Em 1922 os fascistas marcharam sobre Roma, armados apenas do seu entusiasmo pela Itália gloriosa de um passado remoto. (...)
Mas o fascismo não degenerou em ditadura de um dia para o outro, e mesmo depois da suspensão das liberdades civis (por exemplo, das eleições multipartidárias e da liberdade de imprensa), muitos continuaram a acreditar que se tratava de medidas temporárias numa época atribulada. Junte-se a isto o fascismo ter levado forte alívio económico a muitos italianos pobres. Num país profundamente católico, em que a Igreja e o Estado estavam em conflito desde a reunificação, no século XIX, o fascismo conseguira uma reconciliação. Com a sua obsessão pelas glórias do passado, o fascismo conseguira reanimar o orgulho nacional italiano. 


Quando Umberto Nobile sobrevoou o Pólo Norte num dirigível, em 1926, o feito simbolizou o reforço do amor-próprio de que o país estava muito necessitado. De tal maneira que, dois anos mais tarde, quando Nobile se despenhou ao tentar uma aterragem no Pólo Norte (provocando muitas mortes, incluindo a do pioneiro Roald Amundsen, que comandou o grupo de salvamento), uma surpresa desagradável esperava-o no regresso a casa. Em compensação por todos os riscos que correra, foi publicamente humilhado e expulso do exército, tendo-lhe sido retiradas todas as condecorações. Só por pouco escapou à prisão. O fascismo não tolerava o fracasso.»
O Grande Inquisidor, João Magueijo



quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Quando nascem poetas


O sorriso

Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.


Eugénio de Andrade


Regresso ao futuro

Muitas vezes, diz-se: nunca regresses a um lugar onde já foste feliz. Mas como não procurar todos os lugares que nos parecem compatíveis com...