quinta-feira, 5 de abril de 2012

em busca de um ponto imaginário

Pintura de Tsai Chia (século XVIII)

«Ultrapassarmos os limites de nós próprios, apercebermo-nos de qualquer pessoa ou de qualquer coisa como fazendo parte de um grande conjunto de pessoas e de coisas, identificarmo-nos com o maior número possível de pessoas, em suma, vermos o mais longe e o mais claramente possível: é assim que o romancista se torna semelhante àqueles pintores chineses antigos que escalavam montanhas até ao pico para captar o sentido poético de vastas paisagens. Estudiosos da paisagem chinesa, como James Cahill, fazem notar aos entusiastas ingénuos que o ponto de vista abrangendo tudo lá do alto num simples relance e tornando essas pinturas possíveis é, de facto, imaginário, dado que nenhum pintor pinta realmente no pico de uma montanha. Da mesma maneira, a composição de um romance implica a procura de um ponto imaginário a partir do qual se possa ver o conjunto todo. Este vantajoso ponto imaginário é também o lugar a partir do qual se pode ver mais claramente o centro do romance.»
Orhan Pamuk, O Romancista Ingénuo e o Sentimental


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