segunda-feira, 16 de abril de 2012

afinidades electivas

J. W. Goethe por Andy Warhol

não sei qual é a altura exacta na vida de uma pessoa, momento no qual chega a compreender profundamente que o mundo contém muitos tipos de pessoas. compreender não é ainda talvez a melhor expressão para designar o facto de chegarmos a esse ponto, onde é possível uma certa aceitação dessa multiplicidade de modos de ser. enfim, não encontrei outra melhor. 
um blogue é um espaço para dizer o que pensamos, o que sentimos, o que vivemos, do que gostamos, ou não. e é também um lugar que serve para omitir, porque só fica o que queremos, salvo registos do inconsciente, e etc e tal... a verdade é que sinto vontade de registar essa percepção cada vez mais nítida e clara de que as pessoas têm distintas visões do mundo e diferentes formas de as expressar, diferentes objectivos de vida e vias para os alcançar. para lá de tudo isso, o interessante do caso é perceber simultaneamente que não temos nada a ver com umas pessoas, mas que temos muito a ver com outras. afinal, refiro-me às afinidades electivas no seu sentido mais amplo, relembrando Goethe. 
portanto, é algo assim. à medida que sabemos muito melhor o que não queremos, descobrimos aqueles que nos completam e de quem precisamos para que a vida seja um tempo melhor. felizmente, há-os sempre. quanto aos outros, só posso desejar-lhes a felicidade à sua maneira, dado que, não sendo a minha, a pressuponho igualmente legítima. mas isto dava para outro pequeno ou longo discorrer, sobre esse tal caso bicudo que é a tolerância. de uma coisa estou certa: é bom que existam diferenças, próximas ou longínquas. magnífico é que existam afinidades.
por outro lado, às vezes penso: quando for grande, quero ser importante. mas acontece que eu já sou crescida. e qualquer um que me conhece sabe que eu não sou importante. em contrapartida, sei que posso ser importante. a diferença entre as duas acepções do termo é certamente clara para quem sabe Ver.  tenho esperança de que fique sempre claro.
vem tudo isto também a propósito da observação do mundo. observar é preciso.

2 comentários:

Mar Arável disse...

Não a observo

mas contemplo

Ana Paula Sena disse...

...bom, Mar Arável/Eufrázio, acho que contemplar também é preciso. contemplar é assim... mais poético e menos analítico. por sinal, eu farto-me de contemplar! bem lembrado :))

um abraço