domingo, 6 de dezembro de 2009

Porquê katharsis? - 1

«A katharsis é uma purificação da alma, efectuada, dizem-nos {os pitagóricos} (Iâmblico, Vita Pyth. 110), através da mousike {música, a arte das Musas}, i.e., tornando-a harmoniosa; na verdade, isto é filosofia (ibid. 137).»
in Termos filosóficos Gregos - Um léxico histórico, F. E. Peters, Fundação Calouste Gulbenkian



Rameau - Rondeau des Indes Galantes - "Air des Sauvages"


Forêts paisibles,
Jamais un vain désir ne trouble ici nos coeurs.
S'ils sont sensibles,
Fortune, ce n'est pas au prix de tes faveurs.

Choeur des sauvages

Forêts paisibles,
Jamais un vain désir ne trouble ici nos coeurs.
S'ils sont sensibles,
Fortune, ce n'est pas au prix de tes faveurs.

Zima, Adario

Dans nos retraites,
Grandeur, ne viens jamais
offrir de tes faux attraits!
Ciel, tu les as faites
pour l'innocence et pour la paix.

Jouissons dans nos asiles,
Jouissons des biens tranquilles!
Ah! Peut-on être heureux,
Quand on forme d'autres voeux?


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16 comentários:

anamar disse...

Saudações domingueiras, Ana,
:))

via disse...

parece-me que oiço a música pelas palavras embora não ouvindo, é na imaginação que a oiço. boa semana!

Mar Arável disse...

Bela Katharsis

Violeta disse...

Música e poesia, uma verdadeira Catarse, pois então...
bjs e boa semana!

RAA disse...

Que bem escolhido, Ana Paula.
A Magali Léger é radiosa.

Klatuu o embuçado disse...

Dá que pensar a excelência de civilização que foi a dos Gregos; provavelmente os primeiros a descobrir a função social da arte...

Abraço.

Manuela Freitas disse...

Excelente Ana Paula, o que me proporcionou ouvir, que eu não conhecia. Considero a música barroca fascinante.
Obrigada pelas palavras que deixou, nas suas últimas visitas ao meu blogue.
De facto estou doente, já estou enclausurada há um mês e tudo começou por uma constipação a que não liguei muita importância, mas o pior já passou.
Beijinhos e boa semana,
Manuela

partilha de silêncios disse...

Excelente katharsis !

bjs

GJ disse...

Sem respiração, Ana Paula!

Rui Figueiredo Vieira disse...

Muito bom!!!! Bom feriado.Bj

Ana Paula Sena disse...

Obrigada a todos :) e votos de continuação de uma boa semana...
Abraços

Escusado será dizer, mas digo-o: esta belíssima composição tem uma força extraordinária. A katharsis é excelente sobretudo ao nível do refrão. Dizer que se os nossos corações forem sensíveis, nada os perturbará, é algo verdadeiramente estimulante. Sobretudo quando o meio envolvente é a plenitude da natureza. Um músico fantástico!

Klatuu: a função social da arte, sem dúvida! Se repararmos bem, em grande medida, é ela que também nos vai ligando por aqui... :)

Frioleiras disse...

Toda a música é uma Katharsis.......... adorei o teu post...

Rameau...... um dos 'meus'
Les Indes Galantes ... das minhas operas preferidas.... (William Christie e Les Arts Florissants... para mim, a melhor interpretação......... gosto de Rameau, imenso , de o ouvir, sobretudo no Carnaval... cada estação, cada mês tem um cheiro de um compositor qualquer e, a alegria das "sauvages", pura e despreocupada leva-me sempre à Katharsis do Carnaval........... )

simplesmente é isso que penso da música, sobretudo da música europeia até à 2a metade do séc 18...
simplesmente adoroooooooooo...
a essa música e a toda a arte até
à 2a. metade do séc 18....


sobretudo
não só
mas tb....................

Katharsis, sim

absolutamente..................

TERESA SANTOS disse...

Ana Paula,
Sem mais adjectivos: simplesmente magnífico!

José Rui Fernandes disse...

Marc Minkowski continua a "dar cartas" na música antiga com os seus "Musiciens du Louvre".
No rondó (Round O) há um permanente voltar ao refrão, ciclos que se completam, que dão muita força, sem dúvida!

Muito apreciei a escolha.
Cumprimentos,
José Rui

poematar disse...

Bela peça musical! De facto, a música liga-nos ao aqui: também o teatro tem a função que a Ana enuncia. Pena é que música e teatro sejam maltratados em Portugal, até por muitos dos seus agentes, no caso do teatro, principalmente. E, cada vez mais, precisamos de ligarmo-nos e de nos religar como na religião na sua essência mais telúrica. Tudo de bom.

mdsol disse...

Que bem Ana Paula. Gostei muito.

:))