terça-feira, 6 de maio de 2008

Retrato do Blog quando menos Jovem


Quando o acto de fazer um blog já é praticado há algum tempo, parece que acontece uma fase algo estranha mas fértil. Quer dizer, passa-se à fase do repensar do acto, na medida em que já foi ultrapassada a fase do entusiasmo e da novidade. Onde é que eu já vi isto antes?! É que, na verdade, é sempre assim com quase tudo na vida. Nada pode ser permanentemente novidade.

Ouvia eu, um dia destes na televisão, um jovem designar a sua geração por geração fast. Ou seja, do conceito de fast food, passou-se ao fast tudo. E acrescentou ainda: actualmente, todos os jovens vivem, com grande intensidade, o conceito de descartável.
Este jovem que deixou ficar no ar uma aura de frescura e de inteligência up to date, pareceu-me muito interessante. Em especial porque foi capaz de fazer uma crítica bastante lúcida do tempo em que vive, de si mesmo e da juventude actual. Mas também foi capaz de traçar um esboço nítido e claro do que é este nosso tempo tão tremendamente fast...! Gostei de o ouvir e foi reconfortante confirmar que a juventude sabe pensar e fazer pensar.

Mas tudo isto para dizer que é aqui mesmo que se vive de modo radical esse ser descartável. Fazer um blog é rápido, apagá-lo também. É coisa de segundos. Vá lá...minutos. Na pior das hipóteses. Mantê-lo é bem mais difícil e demorado. Descobrir o seu sentido... talvez uma busca que se prolongue por muito tempo...

E apeteceu-me dizer que continuo a empreender a minha. É por isso que o mantenho vivo. É por isso que continuo a sentir interesse em comunicar por este processo. Do eu... ao(s) outro(os), esta espécie de espelho torna-se essencial. Um espelho de múltiplos reflexos, entre os quais aqueles que gosto de visitar...


13 comentários:

n©n disse...

Eu que gosto de ti, da forma como pensas e dos teus textos, confesso que, por vezes, de tão extensos me perco e acabo por ler na diagonal, isto é, acabo por perder a sua essencial, enfim... não leio.

Porque este é um local FAST (e que não dá jeito nenhum acompanhar linhas e linhas, ainda por cima com uma largura de coluna enorme)... VIVA O PAPEL para os textos mais longos!

Gosto deste texto, menos ensaio, mais critica, opinião. E sem dúvida mais curto!!!
:-)

Gosto!

Bj
S.

art&tal disse...

creia que sim

este anselm jappe agarrou muito bem o assunto

acho que a sociedade do epectaculo chegou ao seupico maximo

aquilo que debord analisou...

está ai todos os dias.

já agora permita-me

marcas de baton de greil marcus

e a propria obra e guy debord

nao me leve a mal a sugestão


ps: foi-me dado um livrinho de turner teria eu 15 ou 16 anos....
ainda hoje faz as minhas delicias. a par de giotto,joseph beuys...john cage ou... webern. os que nunca envelhecem

isabel disse...

ainda bem que não tens "ataques de delete" e os conservas bem arrumadinhos para quando se quer dar uma vista de olhos...

é a tua arte. que já é nossa :)

beijos

isabel mendes ferreira disse...

o espelho. do espírito.


.



. enquanto sempre.

isabel mendes ferreira disse...

Amiga!!!!

(exageras....mesmo)


aquilo é apenas um raio de um blogue....
mas que te recebe de braços bem abertos.

gratíssima.

alice disse...

pois eu acho magnífico que tenhas usado este título para abordar este tema, minha amiga. e que saibas ouvir com essa atenção os mais jovens. eu não consigo dar valor a nada "fast" :) beijinho muito grande e obrigada pelas tuas palavras amigas no meu blog *

Ana Paula disse...

Por lapso, apaguei o comentário da Mie que a seguir transcrevo. Pelo facto, peço as minhas maiores desculpas.

«Há coisas impressionantes, deixam-me com um ah!

Não ouvi o jovem a que te referes aqui, não tinha vindo aqui ainda... e hoje pela primeira vez empreguei a expressão "fast tudo" que nunca tinha ouvido, como o conceito que tenho do estilo de vida dos nossos dias...descartáveis.

Quanto a blogs, eu também estou na mesma, ainda não fechei o meu porque espero encontrar o seu sentido, mas que é difícil alimenta-lo lá isso é, e há dias que apetece mesmo
apaga-lo...afinal é só um clic.

Um beijo

grande»

6 de Maio 2008 22.02

Desculpa, Mie! Foi totalmente sem querer! Mas julgo que assim resolvi o problema...

Beijos e obrigada!

pn disse...

profícua especulação


mes fast hommages
ou vénia rapidinha

(um reflexo)

anad disse...

Apesar destes espaços virtuais serem Fast, os seus blogues tornam-se slow, pela prazer demorado de ler a sua escrita.
Anad

RAA disse...

Há blogues e blogues. Nos seus cultiva-se aquele vagar que permite fruir e pensar.

peregrino disse...

Dá que pensar, não dá? Pois dá! Se nós somos, de igual modo, descartáveis, como não o hão-de sê-lo os blogs? E, relativamente a tal descarte, nem Descartes nos ajuda e muito menos salva, com a sua "dúvida metódica". :)

Pela sua própria origem – como tentarei explicar mais à frente -, tem o “blog” isto de comum de ser e não ser ao mesmo tempo. De se escrever ao longo dos dias e de se apagar enquanto o diabo esfrega um olho. De nos agradar e, simultaneamente, nos desgostar. De ser instável e volátil, como quase tudo na natureza, seja ela a humana ou a das coisas.

Não sei se tais antagonismos terão a ver com as fases da Lua, com a mudança de quadrante ou da intensidade dos ventos, ou com a variação da altura das marés, ou, ainda, com a luz e a escuridão ou com todos estes fenómenos, em conjunto ou em separado.

O certo é que se atentarmos na origem do termo “blog”, que nada mais é que a união do “b” de “Web” com o vocábulo “log”, vocábulo que, entre outras acepções, é traduzido em português como “diário”, ou mesmo “diário de bordo” - prefiro esta equivalência, para a minha "explanação" -, nada mais natural que concluirmos que as alterações dos ventos e das marés - e aqui entram as supracitadas fases da Lua – e, ainda, a luz e a escuridade tenham uma profunda influência na condução, na ancoragem e até no afundamento do navio... perdão, do blog. :)

Mas não terá que temer, porquanto os seus “navios” são muito bem estruturados, com quilhas, cascos e rodas de leme em aço inoxidável, o que lhes proporciona, além de uma enorme robustez, um equilíbrio infinitamente estável. Jamais adernarão e muito menos se afundarão [já eu não digo o mesmo de dois dos meus, que se afundaram, tendo, no entanto, conseguido recolher alguns salvados, por virtude do “deus” Google. :) ]


É sempre muito bom passar por aqui.

Bom fim-de-semana.

(Peregrino/Zénite)

Ana Paula disse...

S: eu que também gosto de ti e da tua maneira de pensar, agradeço a tua opinião que é sempre importante para mim. Apesar de eu ser de uma geração que só consegue ser semi-fast :):), compreendo perfeitamente o que disseste.
O Non 2 tem sempre excelentes sugestões! É um espelho recorrente, para mim...
Beijinhos amigos! :)

Art&Tal: o meu muito obrigada pelas suas interessantes sugestões de leitura! Sinceramente, serão sempre bem-vindas! :)

Isabel: obrigada pelo teu sempre simpático apoio e partilha constante nesta esfera! :) Gosto imenso da tua excelente sensibilidade fotográfica!
Beijinhos!

Isabel Mendes Ferreira: o Piano é um espelho onde gosto de procurar reflexos-outros, criados pela original veia artística da sua autora... o mesmo para o Hora Tardia... Insubstituíveis...
Um beijinho amigo e agradecido pela constante partilha! :)

Alice: ouvir os jovens faz parte do meu trabalho. Na verdade, ensinam-me imensas coisas e ser-me-ia difícil viver sem tal intercâmbio.
Para ti, o meu obrigada pela tua escrita tão bela e tão autêntica, a qual tenho tido o prazer de partilhar...
Beijinhos amigos e votos do maior sucesso literário para a tua poesia! :)

Mie: espero que nunca apagues o teu blog com qualquer tipo de clic!!! :)
É um blog absolutamente encantador pela sua esplêndida luminosidade! E gostaria de continuar a partilhar a tua forma de expressão, incluindo as tuas excelentes fotografias!
Beijinhos! :)

pn: muito obrigada pela homenagem em reflexo rápido! Fruto do tempo e do espaço... :)

Anad: obrigada pelas simpáticas palavras! :)
O seu blog está super acolhedor! Parabéns! E um beijinho!

Raa: pensar com os outros é sempre melhor do que pensar a sós! :)
Obrigada pelo apoio e pela partilha de tantos tópicos interessantes no Abencerragem e outros blogs seus...

Peregrino/Zénite: que excelente reflexão deixou aqui ficar! :)
Muito obrigada, sinceramente.
É mesmo isso que diz: um blog pode ser como um navio, meio à deriva ou ancorado, perdido ou reencontrado... às vezes, afundado!
Outras vezes, recuperado! :):)

Espero (re)encontrar os seus navios por aqui pelo ancoradouro da blogosfera!
Poesia excelente e cuidada sempre encontrei por lá!

A todos: obrigada!

intruso disse...

o tempo de um blog, os tempos melhor dizendo...

curiosa reflexão
(perdi-me na leitura também dos comentários)

um blog pode ser eféremo/descartável, ou pelo contrário, denso... a diversidade cabe neste "tempo" blogosférico dos posts...
(e este deixou-me a pensar...)

:)

um beijo

p.s.
e que a "catarse" continue aqui por muito mais tempo...