
Sempre encontrei um encanto especial no ritual do chá, além de gostar da bebida. Com o passar do tempo, a preparação do chá, e a sua partilha com outros(as), tem despertado em mim um interesse cada vez maior, enquanto hábito importante no convívio social. Na verdade, desde há muito, mas muito tempo... que no Oriente se pratica a chamada Cerimónia do Chá.
Diz-nos Kakuzo Okakura n' "O Livro do Chá":
«De começo o chá era um remédio e transformou-se numa beberagem. Na China, no século oito, entrou no reino da poesia como um dos divertimentos polidos. O século quinze viu o Japão enobrecê-lo ao torná-lo numa religião de estética - Chaísmo. O Chaísmo é um culto baseado na adoração do que é belo entre os factos sórdidos da existência diária. Incute beleza e harmonia, o mistério da caridade mútua, o romantismo da ordem social. Consiste essencialmente numa adoração do Imperfeito, já que é uma tentativa terna de atingir algo possível nesta coisa impossível a que chamamos vida.»
Diz-nos Kakuzo Okakura n' "O Livro do Chá":
«De começo o chá era um remédio e transformou-se numa beberagem. Na China, no século oito, entrou no reino da poesia como um dos divertimentos polidos. O século quinze viu o Japão enobrecê-lo ao torná-lo numa religião de estética - Chaísmo. O Chaísmo é um culto baseado na adoração do que é belo entre os factos sórdidos da existência diária. Incute beleza e harmonia, o mistério da caridade mútua, o romantismo da ordem social. Consiste essencialmente numa adoração do Imperfeito, já que é uma tentativa terna de atingir algo possível nesta coisa impossível a que chamamos vida.»
«A Filosofia do Chá não é mero esteticismo na acepção vulgar do termo, porque exprime, conjuntamente com a ética e a religião, todo o nosso ponto de vista a respeito do homem e da natureza. É higiene, porque impõe limpeza; é economia, porque revela o conforto que existe na simplicidade, mais do que no que é elaborado e caro; é geometria moral na medida em que define o nosso sentido de proporção face ao universo. Representa o verdadeiro espírito da democracia oriental ao fazer de todos os seus partidários aristocratas no gosto.»

«É na cerimónia-do-chá japonesa que assistimos ao culminar dos ideais-do-chá. A nossa bem sucedida resistência à invasão mongol, em 1281, havia-nos habilitado a continuar o movimento Sung, tão desastrosamente rasurado na própria China com a incursão nómada. Para nós o chá tornou-se mais do que uma idealização da forma de beber; é uma religião da arte da vida. A beberagem veio a tornar-se pretexto para adoração da pureza e do requinte, função sagrada na qual anfitrião e convidado se uniam para criar, naquela ocasião, a maior beatitude mundana. A sala-de-chá era um oásis no baldio tristonho da existência onde viajantes fatigados podiam encontrar-se para beber da nascente comum da apreciação artística. A cerimónia era um drama improvisado cujo enredo se tecia em torno do chá, das flores, e das pinturas. Nem uma cor perturbando a tonalidade da sala, nem um som estragando o ritmo das coisas, nem um gesto intrometendo-se na harmonia, nem uma palavra rompendo a unidade do ambiente, todos os movimentos deveriam fazer-se simples e naturalmente - eram estes os objectivos da cerimónia-do-chá. E, por estranho que pareça, eram amiúde realizados. Uma subtil filosofia jazia por detrás de tudo isto. O Chaísmo era o Taoísmo sob disfarce.»
«A ligação do Zenismo ao chá é proverbial.Já afirmámos que a cerimónia-do-chá resultou do desenvolvimento do ritual zen. O nome de Laotse, o fundador do Taoísmo, está também intimamente associado à história do chá.»
«(...) Entretanto, tomemos um gole de chá. O ardor da tarde ilumina os bambus, as fontes murmuram com gosto, o sussurro dos pinheiros escuta-se na nossa chaleira. Sonhemos com a evanescência, e demoremo-nos na bela tolice das coisas.»
O ritual ou cerimónia do chá é, em rigor, algo bem mais complicado do que a moderna preparação desta bebida, a partir de preceitos e técnicas ocidentais. Ao reparar atentamente na forma tradicional de preparar o chá, quase não acredito em tanta minúcia... Mas a delicadeza, a ordem e a precisão dos gestos, implicados nesta cerimónia, são detalhes que apelam à mais fina sensibilidade. E, nesse sentido, extraordinários. Tranquilizantes, simples e muito belos.
Foi ao ver uma demonstração da cerimónia do chá, realizada de acordo com a tradição coreana, e a partir de um pequeno vídeo, que aconteceu sentir ainda mais curiosidade pelo ritual do chá. Ele faz parte da cultura de todo o Oriente, mas, no Ocidente, a adesão a esta bebida é também uma realidade, desde há muito... Com um outro estilo, é verdade. No entanto, não deixa de ser uma prática onde Oriente e Ocidente podem encontrar-se.
«(...) Entretanto, tomemos um gole de chá. O ardor da tarde ilumina os bambus, as fontes murmuram com gosto, o sussurro dos pinheiros escuta-se na nossa chaleira. Sonhemos com a evanescência, e demoremo-nos na bela tolice das coisas.»
O ritual ou cerimónia do chá é, em rigor, algo bem mais complicado do que a moderna preparação desta bebida, a partir de preceitos e técnicas ocidentais. Ao reparar atentamente na forma tradicional de preparar o chá, quase não acredito em tanta minúcia... Mas a delicadeza, a ordem e a precisão dos gestos, implicados nesta cerimónia, são detalhes que apelam à mais fina sensibilidade. E, nesse sentido, extraordinários. Tranquilizantes, simples e muito belos.
Foi ao ver uma demonstração da cerimónia do chá, realizada de acordo com a tradição coreana, e a partir de um pequeno vídeo, que aconteceu sentir ainda mais curiosidade pelo ritual do chá. Ele faz parte da cultura de todo o Oriente, mas, no Ocidente, a adesão a esta bebida é também uma realidade, desde há muito... Com um outro estilo, é verdade. No entanto, não deixa de ser uma prática onde Oriente e Ocidente podem encontrar-se.




















