domingo, 14 de abril de 2013

agora que veio o sol

Shadows and Fog, Woody Allen (1991)

pode dizer-se que vivemos entre sombras e nevoeiro. vem isto a propósito de um filme meu favorito inesperadamente revisto - de Woody Allen. e vem também a propósito desta permanente indefinição em que vivemos aqui por terras lusas - já não sabemos quem é quem nem de que terra é. qual o quadrante onde devo situar aquele? e o outro? tudo se esfuma e não é numa só noite, como no filme. nem num só dia. é mesmo ao longo dos dias, das semanas e dos meses... e cada um pode confundir-se com outro... afinal não estamos sempre aptos ou predispostos a percepcionar tanta complexidade. tanta urdidura. temos de poder confiar nas coisas. é muito importante - diz Kleinman. o problema é que, tal como ali, estamos envoltos em névoas. tal como ali, não sabemos quais as alternativas. e qualquer dia, tal como lá, seremos identificados pelo cheiro. absurdo? sim, mas o universo pode tornar-se eminentemente kafkiano. sombrio e nublado. do mesmo modo, na ausência de algo claro e evidente rompendo o nevoeiro, nada impede que deixemos de acreditar, ao ponto de duvidar da nossa própria existência.
é por estas e por outras que gosto do expressionismo alemão. mesmo revisitado.

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