segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

escrever antigamente


encontrei, nesta bonita colecção, A Túlipa Negra de Alexandre Dumas. à época, tomando Dumas como exemplo, escrever era uma arte de elegante intensidade. ou então... sou eu que evoco desde logo os cavaleiros de capa e espada. mas já pouco é como antigamente. por isso mesmo, assim como é boa a hora do regresso ao que amamos, também é um prazer especial voltar a estas leituras de outrora. em literatura pouco é já como antes. e ainda bem. quanto às intrigas próprias da humanidade: essas: motivação e estrutura em tudo semelhantes.

começa assim:

No dia 20 de Agosto de 1672, a cidade da Haia, tão viva, tão branca, tão graciosa, que dir-se-ia todos os dias serem domingos, a cidade da Haia com o seu parque umbroso, com as grandes árvores inclinadas sobre as casas góticas, com os largos espelhos dos canais em que se refletem os campanários de cúpulas quase orientais: a cidade da Haia, a capital das Sete Províncias Unidas, inchava todas as artérias com uma onda negra e vermelha de cidadãos apressados, ofegantes, inquietos - que corriam com a faca à cinta,  o mosquete ao ombro ou o pau na mão para o Buytenhof, formidável prisão cujas janelas de grades ainda hoje se veem e onde, depois da acusação de assassínio lançada contra ele pelo cirurgião Tyckelaer, definhava Corneille de Witt, irmão do ex-grande pensionista da Holanda.
Alexandre Dumas, A Túlipa Negra

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