segunda-feira, 24 de setembro de 2012

ponto da situação 2

a nossa actual situação tem contornos kafkianos como usa dizer-se. mas saibamos porquê. pois: estamos exactamente no mesmo ponto que K. às voltas em redor do Castelo sem nunca conseguir lá entrar. a todo o momento é agora! mas nunca o é. o absurdo do desenrolar dos acontecimentos aqui e por esse mundo fora deve levar-nos a assumir que muito de irracional está na base do destino das nossas vidas. apesar de eu nunca ter tido antes o privilégio de observar tantos seres humanos dotados de poderes mediúnicos como nestes últimos tempos - duvido que algum deles possa prever de facto o futuro. estamos perante o desconhecido e o que importa sobretudo saber é se ainda subsiste alguém que tenha capacidade para introduzir ordem em tudo isto. mas a ordem perante o caos a miséria e a indignidade pode resultar facilmente na figura de uma poderosa repressão. atenção à ordem. se nunca vamos ter efectivo acesso ao Castelo ao menos que fiquemos cá fora em liberdade. caso contrário será matéria do Processo.

2 comentários:

vbm disse...

Impressiva reflexão!

Vale a pena reler O Castelo
que na verdade simula bem
o processo da miséria em curso.

O Castelo é um dos livros mais admiráveis de Kafka!

Hei-de editar passagens
que dele transcrevi,
e mesmo reler a obra.

Obrigdo por o lembrares.

Gostei de ouvir há dias
o Pacheco Pereira
que alertou para o perigo
da perda de liberdade,
pela ameaça efectiva
da perda do mínimo
razoável de meios
de vida...

Lembrou Aristóteles
que chegava a calcular,
para a sociedade do seu tempo,
que bens mínimos um cidadão
devia dispor para poder
ter a existência
de um homem livre.

Pode recear-se uma deriva fascista
cá pela Ibéria... inteligência
e ciência é preciso;
estupidez não é preciso.

Luis Antônio Gomes disse...

A repressão está na iminência de eclodir, a cada cair dos dias o Castelo imposto a nós se apresenta, mas podemos viver além dos muros. Gostei do texto.