segunda-feira, 23 de julho de 2012

interessante...


Em frente de nós, na borda a nordeste do largo, um regimento de soldados do rei rodeia a Igreja de São Domingos formando um semicírculo diante da entrada. Atrás deles, vê-se uma fila de cavaleiros, ao todo talvez uns vinte.
- Deve ter havido um acordo qualquer entre o governador e a hierarquia dos dominicanos para poderem ficar em Lisboa - comenta por gestos Farid.
- Quando a matança acaba, a Coroa manda as tropas - replico -. É um grande conforto saber que ele nos apoia com tanta coragem, não achas? 
Enquanto caminhamos, observamos a atitude respeitosa do povo da cidade, o mesmo povo que um dia ou dois antes era capaz de exigir a cabeça do rei. «Esta passividade está profundamente entranhada nas almas dos cristãos portugueses» penso. «Nunca nenhuma revolta há-de aqui ter sucesso.»
Richard Zimler, O último Cabalista de Lisboa

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