domingo, 3 de junho de 2012

pequenino e inútil


[é preciso não compreender. depois de não compreendido, está entendido]

Mas miniaturizar é também ocultar. Duchamp, por exemplo, também se sentiu sempre atraído pelo extremamente pequeno, quer dizer, por tudo o que exigisse ser decifrado: emblemas, manuscritos, anagramas. Para ele, miniaturizar significava também tornar inútil: «O que está reduzido encontra-se de certo modo livre de significado. A sua pequenez é, ao mesmo tempo, um todo e um fragmento. O amor pelo pequeno é uma emoção infantil.»
Enrique Vila-Matas, História Abreviada da Literatura Portátil

2 comentários:

César Ramos disse...

Neste momento, especialistas trabalham arduamente no sentido de miniaturizar salários!

É a acção da pequenez de governantes minimizados na insignificância das suas capacidades, fragmentos diminutos de gente de vistas curtas, microcéfalos, e inúteis!

Ana Paula Sena disse...

... acresce que os "salários miniatura" nos retiram uma série de coisas importantes, pequenas e portáteis.

um abraço, César :))