domingo, 5 de fevereiro de 2012

SNS

É talvez preciso permanecer cerca de oito horas nas urgências de um hospital, como foi o meu caso recentemente - ainda que não por causa de mim, directamente - para entender a real importância do SNS. A taxa moderadora é, como se sabe, de 20 euros. Mas o tudo que ali vai parar é que é o busílis da questão. Pessoas de todos os géneros, de todas as condições socio-económicas; sobretudo, pessoas com todo o tipo de doenças. O leque é tremendamente vasto. Infelizmente (ou não), não é nada que eu não conhecesse já muito bem. No entanto, passado um tempo, olho agora todo o ambiente de forma mais radical: pode uma sociedade verdadeiramente humana dispensar-se de prestar os cuidados essenciais aos seus elementos mais desfavorecidos? Que conceito temos hoje de saúde pública? Poderemos aceitar que estes cuidados - que fazem parte certamente do nível mais elementar do que consideramos qualidade de vida (é verdade, as pessoas ficam doentes) - subsistam como mero resíduo incómodo e inestético (no sentido mais amplo) da sociedade? Quem pode mune-se de camas confortáveis, de belas cadeiras estofadas e de pesados cortinados, amortecendo a existência do sofrimento? E é tudo? Qual é, afinal, o mínimo digno e dignificante do ser humano que deveremos assegurar em caso de doença de qualquer um? Eu sei que estas são perguntas cuja resposta é sempre difícil e pouco consensual. Mas penso cada vez mais no caso. A saúde é um bem prioritário e nenhum país civilizado pode deixar de fora os seus habitantes mais desprotegidos. O combate face às desigualdades mais extremas (o real e não o demagógico) tem lugar certamente em várias e múltiplas frentes. A verdade é que, por muitas razões, mais do que meramente subjectivas, não vivemos todos a saúde (e a falta dela) da mesma maneira. E é difícil aceitar resignadamente essa dura realidade.
Conclusão: "acende-se" muita coisa em nós sentados prolongadamente numa dura cadeira.


1 comentário:

Mar Arável disse...

Tem toda a razão

é preciso acordar relâmpagos
mas de pé