domingo, 19 de fevereiro de 2012

o movimento da concentração

Estação de Churchgate (Bombaim, Índia)  - fotografia de Sebastião Salgado

Levada por um pequeno grupo de amigos, tive há pouco tempo oportunidade de observar o movimento da noite lisboeta. Quando estamos algum tempo sem passar por certos lugares, o olhar é sempre comparativo em relação ao passado, mesmo que não longínquo, neste caso. Serviu esta pequena saída para aprender um pouco mais sobre mix's e remix's (dado que já sei alguma coisa sobre o assunto através de alunos - a música tem hoje um suporte informático de potencialidades praticamente infinitas). Mas serviu também para apreciar (e ponderar sobre) o movimento da multidão. A sua atracção pela concentração. Olhando as pequenas ruas nocturnas literalmente inundadas pelas gentes, é impossível não associar tal visão a essa outra tão similar, a que nos é dada num ambiente de transportes/trânsito em hora de ponta. Todavia, a situação, neste caso, é outra: supostamente, as pessoas pretendem divertir-se, distrair-se, rir, conversar, e desenvolver uma série de outras actividades afins. Horas de lazer, e de prazer. No entanto, parece que tais objectivos se perseguem seguindo exactamente a mesma forma, aquela que é impossível evitar nas grandes cidades em determinados contextos. E, pelos vistos, também neste. Ou seja, a verdadeira noite animada, a fantástica noite, é aquela que consegue alcançar o nível mais alto no que toca a densidade populacional. Será porque existe cada vez mais gente? Será porque há cada vez menos espaço para cada um? Sabemos, existem ainda lugares pouco habitados no planeta. Ninguém quer ir para lá. Somos mais felizes concentrados. Assim parece. E a própria solidão deve viver-se por entre a multidão.

2 comentários:

G. Ludovice disse...

Se conseguirmos respirar talvez sejamos mais felizes em estado de alienação espacial... n sei, o mm n dirão os q p pensar necessitam de terreno livre, mas provavelmente o q se pretende é pensar menos, por algumas horas.

Ana Paula Sena disse...

...sim, esquecer. atordoar a mente para sossegar um pouco. eu descanso mais a mente frente ao mar, com um bom livro, ou na companhia dos amigos :)

...movimentos para um lado, ou para o outro... posto que há sempre outras direcções.