quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Pinga Pouco

Eu não sou especialmente entendida na multiplicidade das nuances políticas, muito menos em economia ou questões fiscais, mais concretamente. No entanto, o que sei chega para perceber que esta questão da Jerónimo Martins/Pingo Doce chegou ao ponto do perfeito exagero. Eu posso não gostar que eles se transfiram para a Holanda (e não gosto), a troco de benefícios fiscais, mas...  Primeiro que tudo seria bom estarmos informados. Para não embarcarmos em perseguições moralistas precipitadas, até porque eu gostava de saber onde estará a moralidade de tantas outras decisões que ouvimos e lemos diariamente nas notícias, relativas a esta e a tantas outras matérias - onde está?! Perseguir um nome, uma pessoa, é possível, claro, mas será esse o caminho para uma análise lúcida do problema? Já agora, eu sou consumidora do Continente, dado ser a grande superfície que está perto de onde moro. Por sinal, não simpatizo especialmente com esta cadeia de hipermercados, mas não será de considerar a proximidade/implantação das lojas, como incentivo legítimo ao consumo?
Informei-me um pouco. Não é nada ilegal, por criticável que seja do ponto de vista moral. É apenas mais um passo para abandonar Portugal. Mas deixar um grande número de pessoas no desemprego, não seria também altamente negativo? É preciso analisar todos os lados da questão. As simplificações abusivas parecem-me mau prenúncio para construir um futuro que se quer viável. O que me leva a escrever estas linhas opinativas, lamentando não estar plenamente de acordo com muitos - sempre, é algo impossível, sabemos -, é o facto de perceber que o que está realmente em causa é a falta de incentivos que o nosso país oferece para fazer crescer a economia. Esse é o grande problema. Isso é que merece constituir a nossa enorme preocupação. Tudo a debandar... Um país com desertificação em curso... Um cenário triste. Apercebi-me hoje da quantidade de estabelecimentos comerciais que fecharam ou estão para fechar, aqui próximos de mim. Está tudo muito mais caro. É isso que sente e pensa quem vai fazer compras diariamente. Não adianta arranjarmos "bodes expiatórios". A verdade é que com ou sem Pingo Doce, tudo por aqui "pinga pouco".
Finalmente, acabei de ouvir há minutos, na TSF, alguém por quem não nutro especial simpatia, mas que merece, sem dúvida, que aqui a refira, pela análise lúcida que fez da questão. Sim, a Dra. Maria de Lurdes Rodrigues chamou a atenção para os reais meandros deste problema. E fê-lo muito bem. Suponho que quem tenha interesse possa vir a saber quais foram as suas palavras. As minhas são estas, menos entendidas, mas atentas.

Adenda: como encontrei a ligação para o programa da TSF a que fiz referência, e como gosto de completar, na medida do possível, o que penso, aqui fica para os interessados:



3 comentários:

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Sou igualmente um perfeito leigo, mas concordo em absolurto que nao devenmos cair em simplismos. Mais: muitos dos que vociferam, vao comprar gasolina a Badajoz e compram produtos que nao marca nacional para se arvorarem em patriotas.

Todavia, nao deixa de ser tentador que grandes grupos (e julgo term sido quase todos do Psi 20) saiam do país numa hora de grande aperto, até poque os benefícios fiscais na Holanda são coisa a curto prazo e nao a médio/longo. Neste sentido o grupo empresarial também nao pensa bem, mas para expandir o grupo na Colômbia, parace que esta decisão terá sido a melhor.

Obviamente que as incertezas do nosso sietma fiscal a mudar todos os anos nao sao garante para ninguém de estabilidade alguma e, nesse sentido, o nosso próprio sistema fomenta a fuga para o estrangeiro.

Parabéns pelo texto, Ana!

partilha de silêncios disse...

Pinga pouco para muitos, e pinga muito para poucos !!
Temos que arranjar ânimo e não deixar que além de nos lavarem a carteira, nos lavem também o nosso cérebro 24h por dia. Eu já não aguento !!!
Vamos fazer um "EXCELENTE 2012, nem que seja para contrariar.

beijinhos

anamar disse...

Estou de acordo consigo, Ana Paula.

Memórias curtas e pouco parciais.
Não deixa de ser m investidor e criador de riqueza.
Este país não oferece segurança. Tivessemos nós um negócio, menor que fosse, e se nos sentissemos inseguros o que faríamos?

E, a verdade, é qe se não sabe o futuro do euro...
E, se acabar, muiots irão chorar e ter pena de não ter post o dinheiro em Inglaterra, por exemplo.

Bom domingo.
Abracinho
Ana