quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Mais coisas boas: mais filosofia!

«O jogo, como orgão da profanação, está por todo o lado em decadência. O facto de o homem moderno já não saber jogar é provado, exactamente, pela multiplicação vertiginosa de novos e velhos jogos. Nos jogos, nos bailes e nas festas, o homem moderno busca, de facto, desesperada e obstinadamente, o exacto contrário daquilo que poderia aí encontrar; a possibilidade de poder voltar à festa perdida, um regresso ao sagrado e aos seus ritos, nem que seja sob a forma das insípidas cerimónias da nova religião do espectáculo ou de uma lição de tango numa sala de província. Neste sentido, os jogos televisivos de massa fazem parte de uma nova liturgia, secularizam uma intenção inconscientemente religiosa. Restituir um jogo à sua vocação puramente profana é uma tarefa política.» 
Giorgio Agamben, "Elogio da Profanação" in Profanações
 
(o sublinhado é meu)
 
 

'Governar é conduzir'  -  'O governante é um piloto'

Perguntemos: qual  a direcção?
 


3 comentários:

anamar disse...

Boa escolha.
Abracinho
Ana

LM, paris disse...

minha querida ana, adoro Agambem, e este texto é perfeito, no sentido em que por aqui ...nestas terras francesas, hà jà uns tempos que me "enervam" estas falsas animaçoes, estes jogos que nao o sao mais. Isto para te dizer que na dança,onde se dança pouco...se procura uma " nova "relaçao ao outro, e ao pùblico. Como ser pùblico sem deixar de ser participativo e nao so espectador. Entao se fazem ...jogos, coreo grafados imitando o tal ritual que era Ele verdadeiro, un encontro, uma dupla respiraçaon, nao premeditado...nao instruido por outro! Credo! Aquilo, parece-me uma pobre tentativa de jogar mal a sua dança, o seu commitment to other's...
Temos de passar por uma formalizaçao do encontro ...e o Baile é coreografado por un tiers que manda as pessoas dançarem e talvez, até serem felizes. naos ei se isto faz sentido, mas foi o que me ocorreu. A tua ultima frase é estupenda, claro, que sim. Nao sei ...com voltar-mos a uma coincidência dos corpos sem este intermediàrio...ou média(s)...fazendo Solos...jogo no absoluto. Parabéns pelo teu blogue! bjo
LM

José Manuel Marinho disse...

Bem lembrado, Ana, o jogo dilui-se, desde há muito, inclusive na actividade diária das crianças; sem o jogo, perdem-se interacções afectivas, sociais e culturais determinantes para o fortalecimento do tecido social e o crescimento equilibrado da personalidade humana. Actualmente, o sentido do jogo deslocou-se para o computador e a "net", perdendo-se a sua dimensão real, através do olhar, do gesto, do ouvir, do falar e do tacto. Concretamente, ao nível escolar, há, desde há bastante tempo, a desvalorização da área da Expressão Dramática, o que é mau. Continuação de bom fim-de-semana.