terça-feira, 3 de maio de 2011

Esboço de ensaio sobre o cão de fila na sua forma humana OU da necessidade de educar meninas malcriadas

O cão de fila é um ser maravilhoso, oriundo das nossas terras portuguesas. Como acontece com toda a precipitada adaptação de comportamentos estimáveis e relevantes no seu adequado contexto de vida animal, ao transitarem assim para aquele lugar próprio das coisas humanas, demasiado humanas, verifica-se que o que é notável degrada-se.

Posto este princípio, que enuncio por minha alta recriação, compete dizer que este esboço de um ensaio que até gostaria de escrever, mas para o qual, na verdade, não tenho paciência; este esboço, dizia eu, é uma pequena mensagem que se pretende circule ligeiramente e esvoaçando pelo hiper-espaço, até cair algures no ponto, ou seja, poisando suavemente mas caramelizada já, no colo de uma menina malcriada - uma espécie de dádiva dos céus, enfim...

As meninas malcriadas devem ser educadas. Mas, grosso modo, acontece haver pouca paciência para a educação. Esta, é um facto, dá trabalho. Por vezes, pode até nem ser conveniente. É mais fácil deixar proliferar e desabrochar competências para a manipulação desenfreada do outro. Por vezes, isso calha bem porque a manipulação é recíproca. E as pessoas gostam de se entreter com este tipo de delicados jogos de equilíbrio de poderes.

Isto é um esboço, não pretendo esquecê-lo. Daí que avance já para a minha provisória conclusão, até porque tenho realmente coisas melhores para fazer. Concluo, por ora, o seguinte: quem quiser brincar com meninas malcriadas e divertir-se à brava, que brinque. Vivemos numa sociedade democrática e a liberdade ainda passa por aqui... Mas, só brinca quem quer e enquanto quer. Quem não quer, não brinca. Ponto final, irredutível. E quem não brinca, começa a falar a sério. É uma questão de liberdade.

Questões estéticas ou de juízo do gosto: diz-me a educação da minha sensibilidade que a arrogância/petulância fica muito melhor no chiaro-escuro, mas péssima à luz crua de um sol impiedoso - recomenda-se moderação na sua utilização, até porque para arrogante, arrogante e mais... Felizmente, há em todos nós um certo quê de artistas.

(sim, eu sei, é um textozinho ligeiramente incompreensível...)

6 comentários:

mdsol disse...

Nada incompreensível no seu sentido geral. E muito interessante, como sempre. Beijinhos

:))))

Ana Paula Sena disse...

Obrigada, querida Md(Sol) :))))

Por norma, sou dada ao silêncio, sobretudo por reconhecer os seus benefícios em face de determinadas situações. Mas, imperfeita como sou, também me dou ao luxo de alguns desabafos. Intencionalmente, sempre didácticos, e jamais sem fundamentos de peso. Afinal, isto é Catharsis :)

Beijinhos!

(obviamente, o recado também foi dado directamente)

C. disse...

Nunca deixar nada por dizer, Ana Paula. Envenena o coração e torna-nos muito azedos.
Além disso, pode ser um excelente exercício de auto-regulação :-))

Beijinho.

Ana Paula Sena disse...

Sem dúvida, querida C.! É mesmo isso! Acho que fiquei mais auto-regulada em toda a linha :)

Beijinho grande.

anamar disse...

Delicioso e oportuno, Ana Paula.
E não é que este texto também serve merninas malcriadas e despudoradas que me visitam pontualmente?
Poderei fazer link?
beijo e florinhas da Madeira...
:))

Ana Paula Sena disse...

...elas andam aí, Anamar!

...claro que sim, querida amiga. É também seu, nesse caso :)

Muitos beijinhos daqui, grata pelas florinhas da Madeira. Adorei!