quinta-feira, 24 de junho de 2010

Imagem, filosofia e música

(olhar)



«É possível que a amizade seja alimentada pela observação e pela conversação, mas, quanto ao amor, ele surge e é alimentado pela interpretação silenciosa... O ser amado exprime um mundo possível que nos é desconhecido... e que precisa de ser decifrado.»
Gilles Deleuze, Proust e os Símbolos

(ler)




(escutar)


(olhar-ler-escutar: pensar)




Imagem: Robert Longo, Untitled (Ophelia #3) - 2004

12 comentários:

via disse...

este Longo é fabuloso! estive a pensar que era fotografia e afinal era mesmo desenho.bjo

anamar disse...

Ana Paula,
tenho andada afastada de leituras blogosfericas...
outras "distrações"....que me têm dado pouca paz.
Mas...hoje estive a pôr em dia os teus escritos como sempre belos.
E o novo padão do blgue está lindo e muito leve.... repousa-se por aqui.
Beijinhos
Ana

Bleffe disse...

Brasil vai jogar...que legaaaal!!

Mas, vamos voltar à realidade?

Entenda porque...Ouça e baixe GRÁTIS "Nas Ruas", mais uma música do Bleffe.

Saiba como clicando AQUI

Aproveite a passagem pra navegar e comentar no nosso Blog. Valeeeu!!!

j maria castanho disse...

Brindemos a todos os lugares e seus encantamentos intrínsecos:

Décimo Segundo Cálice


Se na equidistância entre estrelas o afastamento a uma é aproximação
A outra entre dois pólos navega como pêndulo à procura da unidade
Esse ritmo binário digital com que nos sustentamos irrequieta condição
A bater as horas entre ser e não e não-ser, sintetiza-nos átomo paridade
Ao construir-nos duplos no género mas iguais perante a generalidade.

Olho devagar a concisão de teu sorriso aflorando o recanto da alegria
E nesse olhar em que me vou tornando está o manto rosáceo, puro, liso
Que não descuro nem quanto dele preciso para seguir em frente no dia
A dia, sobre a mesa da ocasião, apenas à solidão calada as letras aviso
Arriscarem-se a perecer se ao cometer a traição temerem doce ousadia
De tecer teus ombros na fina e branca seda dos astros reflexos os areais
Bronzeados mestiços metais nada são se os comparar a alvos celestiais
Das velas navegantes que mundos viram e trouxeram uma página mais.

Duas folhas unidas pela medianiz como dos troncos nasce só uma raiz
A veia feita das duas metades que já foram quartos doutras tantas luas
Ao querer como se crê e tanto quis que as pétalas saídas do cálice tuas
Fossem únicas verdades essas lidas assim tatuadas na pele tão-só a giz
De gizar o caminho ao amaciar o linho da repousada água na líquida fé
De se apagar a mágoa no mansinho ser somente quem, ao querer-te, é.

Ana Paula Sena disse...

Bleffe:

Portugal também vai jogar!!!

...e que ganhe o melhor :)))

Ana Paula Sena disse...

j. maria castanho: muito obrigada pela visita e pelo poema.

poematar disse...

Boa noite,Ana Paula. Faz-me impressão a palavra "decifrado" usada por Deleuze; é muito técnica. Não consigo escutar o amor com tanta distância. Decifrar é uma acto de uma minúcia demasiado racional - o amor não implica tal. Talvez eu seja demasiado intuitivo. Saúde e um bom fim-de-semana.

poematar disse...

Excelente momento musical em "Escute-se".

José Ricardo Costa disse...

Eu diria assim: há um ser que, por ser amado, é espontaneamente doador de mundos possíveis, daí ser arrastado para uma criativa e feliz tensão entre o desconhecido e o dedifrado.

JR

Ana Paula Sena disse...

via: é mesmo fabuloso!
Sabes, vi a exposição dele, no CCB, mas foi a correr, porque perdi imenso tempo a ver a da Joana Vasconcelos.
Acontece que estava por lá um trabalho do R. Longo pelo qual fiquei, literalmente, "apaixonada". Acho que não é exagero dizê-lo, pois acontece que nunca mais deixei de pensar naquela imagem. Não é esta, de que também muito gosto, mas uma outra. Um dia coloco-a aqui. Por tudo o que conheço dele, considero-o genial.

Beijos

Anamar: obrigada :)
Fico feliz, se gostas de passar por aqui. Bom é igualmente visitar o teu Mar à vista!

É verdade, às vezes há "distracções", trabalhos e canseiras. Compreendo-te perfeitamente. Também tenho fases assim.

Beijinhos de volta para ti.

Ana Paula Sena disse...

Jota (poematar): Eu entendo. És um romântico :))
Tens razão, julgo eu que até certo ponto. Normalmente, está-se mergulhado, não há distância para decifrar nada. Por outro lado, a um outro nível, o desejo de entender outra pessoa pode levar a querer decifrar o seu universo, ora de um modo mais espontâneo, ora de uma forma mais racional. Na verdade, apesar de nem sempre ser do meu agrado tudo o que disse o Deleuze, esta afirmação em particular parece-me muito interessante.

Afinal, Jota, o que é o amor? Já viste o tempo que é preciso para decifrar alguém?! Como gastar todo esse tempo, a matutar, sem que tal consista num acto de amor? E, depois, chegar à conclusão de que não se decifra nada, ou muito pouco. Mas, apesar de tudo o outro está ali, um ser que é radicalmente uma diferença em relação a nós, e cuja presença não se pode ignorar.

Obrigada pela tua pertinente questão, sinceramente :)

...sim, eu também acho os músicos do Rastrelli Cello Quartett excelentes!

Ana Paula Sena disse...

José Ricardo Costa: "...doador de mundos possíveis; criativa e feliz tensão entre o desconhecido e o decifrado" - parece-me muito bem dito. Talvez uma das possíveis fórmulas do amor :)

Obrigada.