domingo, 22 de novembro de 2009

Impaciência

Não quero estar com rodeios
digo
há um poema directo
diz
há uma poesia brutal
conclui
mostra as coisas como são
portanto
repara
eco narciso não ama
porque se afunda em si

e muito tu imaginas
secretas melancolias
amores doces e galantes
francamente
mal consigo adquirir a minha alma na paciência kierkegaard
lamento
se vem Deus tem que chegar cedo e já
há pratos vazios e mesas corridas manchadas de nódoas renitentes
e além quando se afaga a dor e a solidão
espera-se em vão
um anjo que dê a mão

tenho dito
algo muito mal-dito
que fica por dizer
e ainda mais por fazer.

12 comentários:

vbm disse...

A net presta-se ao acaso,
na fórmula matemática de Cournot,
«o efeito resultante do cruzamento
de duas séries causais independentes»...


Assim, a imaginação errónea do solipsista,
presidiado no seu narcisismo;

contudo, dá para concordar
que «esperar não é saber»;

pelo que

a net não convém
ao recto convívio na polis.

T.Mike (Miguel Gomes Coelho) disse...

Ana Paula,
Bom dia !
Que bom, poesia logo ao acordar...
E gosto muito.
Saudações.

Violeta disse...

Olá Ana Paula
queria vir aqui com tempo ler-te, mas o tempo é escasso. Hoje sentei-me a ler o jornal na esplanada, aproveitando o sol deste Outono e deste novo clima tropical que veio para ficar.
Ontem choveu, muito dirão, mas não, não choveu muito, as albufeiras e reservas de água estão demasiado baixas. ninguém diz, e o povo não sabe - porque cada vez que se abre a torneira, a água sai - mas 2009 foi um ano hidrologicamente seco, muito seco.
Ma so que queria dizer era que no jornal havia um artigo sobre o tempo, ou a falta dele.
Tb queria dizer que gostava de comentar mais profundamente os teus post, ao sabor do que eles me despertam, mas fico-me por um bom dia. Ontem deitei-me às 4h para fazer um artigo para um jornal (dos que ninguém lê), hje é dia de relatórios e mais uma série de coisas que de repente enche a nossa vida e aos quais não podemos dizer que não. meti-me num doutoramento e vejo-me cada vez mais executiva e menos eu. E eu só quero ser eu, falar com Deus, e que ele me oiça, e em ultima análise, como diz a Elis "quero uma casa no campo".
às vezes apetece-me escrever no blogue, penso em temas e na cabeça, entre um transporte e outro, escrevo o post, falta o tempo para o concretizar... Vai-se publicando o que os outros escrevem...
Não sei se o que escrevi é coerente, mas é sentido e sincero.
Bjs e boa semana, mesmo que nos próximos post os meus comentários voltem a ser reduzidíssimos.

Vítor Mácula disse...

antes sequer da espera e da desespera já veio nem chegou, nunca partiu nem quebrou, eu é que oh.

o puto de copenhaga sabia muito do eu e do oh.

talvez possamos dizer o vão mas não a escada. ou re-citar na carne a tua última estrofe, que o resto é bazófia ;)

beijo

Mar Arável disse...

Se as coisas fossem

como são

os cegos choravam

lágrimas mortas

Benjamina disse...

Ana Paula
Nem se que dizer... a não ser, que gostei muito. Lindíssimo.
Um beijo

Ana Paula Sena disse...

Agradeço os vossos comentários :)

Surge este pseudo-poema, enfim...de rompante, com toda a minha "zanga" face ao sofrimento de uma amiga que conheci aqui, a quem nunca vi pessoalmente, mas a quem me liguei. Porque aqui também se estabelecem laços.
O caso dela, sinto-o paradigmático do facto de termos que conviver com a imensa injustiça do mundo. E ainda assim, entre a alegria e a tristeza, sem medo desta, é aquela que deve vencer. Como?!

Abraços

anamar disse...

AnA Paula,
li o antes e o depois , eas mjnhas palavras falharam...
Beijo
Ana

partilha de silêncios disse...

Lindo o poema, triste o sentir.

"quando se afaga a dor e a solidão, espera-se em vão um anjo que dê a mão".

A vida e os anjos infelizmente nem sempre se encontram.

Um beijo

Frioleiras disse...

entre o que escreves e o que li dos que te comentam... pensei:

a net também pode trazer laivos do calor humano que ela e toda a panóplia de laços virtuais tirou...
soube-me bem ler-te be ler os teus amigos...
quantas vezes penso no sentido dessas palavras mas continuo a mergulhar na vacuidade do meu quotidiano................

às 2as feiras, ao fim da tarde, tenho cerca de 3 quartos de hora que dedico ao 'espírito'. Num desses quartos de hora oiço alguém falar... Nem sempre a mesma pessoa..
A que falou hoje deixou-me uma reflexão sobre 2 palavras e a sua diferença abismal:
"dar"
e
"dar-se".

Talvez percebas como eu as enquadro no que acabaste de nos contar com a poesia que nos transmites. Parece diferente mas estas 2 palaveas , no meu entender, jogam com o que transmites...........

Frioleiras disse...

enviei sem rever................decerto imensas gralhas. estou a trabalhar num notebook pequeníssimo e com letras minúsculas.

pelo facto peço desculpa......................

Maria Josefa Paias disse...

Ana Paula,
Não quis deixar de registar também aqui o meu apreço pela publicação deste texto que vai tanto ao encontro da minha sensibilidade.
Um abraço.