segunda-feira, 8 de abril de 2013

E vós, Tágides minhas...

A filosofia mostra-nos que seria absurdo acreditar que um dia esgotaremos o que é pensável, o que pode ser feito e formado, da mesma maneira que seria absurdo colocar limites ao poder de formação que jaz sempre na imaginação psíquica e no imaginário colectivo sócio-histórico. No entanto, não nos impede de constatar que a humanidade atravessou períodos de enfraquecimento e de letargia, tanto mais insidiosos porquanto acompanhados por aquilo a que se convencionou chamar um «bem-estar material». Na medida em que isso depende, em maior ou menor grau, daqueles que têm uma relação directa e activa com a cultura, no caso de o seu trabalho permanecer fiel à liberdade e à responsabilidade, eles poderão estar a contribuir para que esta fase de letargia seja a mais curta possível.
Cornelius Castoriadis, A Ascenção da Insignificância

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