sábado, 6 de outubro de 2012

que ponham as mãos na massa!



o dia 5 de Outubro de 2012, feriado nacional que considero dos mais importantes, e que está fadado a desaparecer do mapa enquanto tal, foi triste. um incidente algo caricato com o hastear da bandeira portuguesa deu origem a mais um longo e intenso capítulo do teatro político-social deste país. pois é de lamentar, é verdade. o acontecimento terá certamente uma explicação, e é bom que ela conheça a luz do dia e seja divulgada. por outro lado, o sucedido é insólito e suscita-me até uma certa curiosidade. mas é isso e talvez pouco mais. até podemos alimentar uma série de conjecturas sobre... mas não sei se valerá a pena.
grave, grave, e sintomático, isso, sim, é o facto de que um dia tão importante como o do aniversário da República, seja comemorado praticamente à "porta fechada". isto, sim, repito, é sinal grave e óbvio de que muita coisa não vai bem. e o que será? tanta coisa, sabemos. desde logo, uma inédita dissociação entre instituições e povo. não estou a dar nenhuma novidade. mas sinto ser meu dever dizê-lo. 
o diagnóstico do mal-estar desta civilização, parafraseando o velho Freud, está feito: há problemas com o capital. e todos dependemos dele, de uma ou de outra forma. os críticos do sistema capitalista - como eu, nas horas vagas - deveriam assumir que estão plenamente mergulhados nele e que não há soluções milagrosas.
ora, mais do que alimentar e participar em bailinhos e romancezinhos político-ideológicos, o que importa, o que é preciso, é resolver os problemas concretos e reais das pessoas. descobrir soluções efectivas. e vejo poucos dedicados a isso. tenho ainda esperança que apareçam. porque sei existir gente capaz. serão tecnocráticos, aqueles a que me refiro? talvez. mas que sejam bons técnicos. dos bons! que tentem resolver os problemas reais. que "ponham as mão na massa". e que o façam com sentido de justiça e equidade. mas que saibam o que isso é e o que isso implica. que tenham coragem. não a de levar a fome e o desespero às pessoas, mas a de distribuir os escassos bens por todos, atendendo à premência das suas necessidades, e assegurando um mínimo de dignidade à existência dos mais desfavorecidos.
em dias de fome, não há muito tempo para elegantices argumentativas. o argumento de peso é matar a fome. que se unam os que sabem e os que podem para o fazer. o resto é bruáááá...

5 comentários:

Porfirio Silva disse...

Ana Paula,
Resolver os problemas reais nem sempre se faz correndo a direito para um alvo visível. Não caias na ilusão de que isso é fácil...
Beijinhos.

Ana Paula Sena disse...

Tens razão, Porfírio, não é nada fácil. E envolve certamente muita complexidade.

O meu ponto é, neste momento, um apenas: seria desejável estabelecer as devidas prioridades, em lugar de dar destaque a questões secundárias (ainda que importantes sejam também). Sei que umas se entrelaçam nas outras, mas umas são mais urgentes do que outras.

Beijinhos para ti.

Faty Laouini disse...

Concordo, Ana. O pormenor da bandeira - caricato, sim - é secundário tendo em conta outras coisas. Que importam muito mais.

Faty Laouini disse...

Ana Paula, deixei um comentário aqui que não apareceu. E não é a primeira vez...:( Alguma razão em especial? Terei feito algum clique errado?

Ana Paula Sena disse...

Não, Fátima: ficou :)

Eu é que peço desculpa pela demora na publicação do comentário. Tenho andado um pouco fugida daqui (passageiro). Mas, volta e meia, não consigo publicar os comentários. O blogger já não é o que era.

E, sim, cada vez mais acho: os que têm poder e responsabilidades acrescidas não se preocupam com o que mais importa. Anda tudo muito ocupado com folclore :(((

Grata pelo comentário. Um beijinho!