segunda-feira, 6 de agosto de 2012

involução

Como já percebeu quem passa por aqui, eu sou a favor da exploração espacial. Uma interessante discussão pública, entre outras, seria acerca desta temática. Em vez das discussõezinhas inférteis e do "vira o disco e toca o mesmo" com que tantas vezes a CS se auto-satisfaz até à exaustão. Em relação a este ponto, agradou-me verificar que a TSF dedicou algum tempo ao tema, através de uma pequena conversa com o Director do Observatório Astronómico de Lisboa - que escutei há umas poucas horas atrás.
Mas... a questão é ainda outra. A exploração espacial custa dinheiro. Em rigor, custa muito dinheiro. Ora, será de o gastar neste tipo de investimento? Será que de facto estamos perante um investimento? Evidentemente, a minha resposta é afirmativa. E devem fazer-se sacrifícios (termo agora muito em voga) para avançar com missões do tipo da que tem estado em curso, para colocar um jipe-robô na superfície de Marte, em busca de um maior conhecimento? Bom, eu estaria disposta a fazer alguns, sem dúvida.
Facto é também que a fome no mundo não acaba se pouparmos (mundo/humanidade) na exploração espacial... Se assim fosse, seria relativamente fácil resolver tão grande problema, e eu seria das primeiras a deixar as missões espaciais para trás. No entanto, a mim parece-me algo diferente: se um bom dinheiro está na exploração espacial, é porque não está nos bolsos de muitos corruptos deste mundo.
O mundo é complexo e as teias com as quais ele se tece são minuciosas e labirínticas. É por isso que sinto certa aversão a afirmações simplistas tais como: acabe-se com a investigação espacial, acabe-se com a investigação científica, acabe-se com a cultura, acabe-se... enfim... com tudo (e há tanto!) o que não é de lucro imediato, pois assim poupamos imenso. Acabe-se também, claro está, com a educação.
É, pois, uma circunstância muito desagradável (para não dizer pior), essa de descobrir constantemente que o mundo está infestado de Velhos do Restelo - e que parecem estar em crescimento exponencial... Por esta ordem de ideias, nunca teríamos ido além do Bojador! Apre!
 

2 comentários:

vbm disse...

Concordo inteiramente. O conhecimento progride com a investigação e o desenvolvimento. As civilizações perecem se não avançarem na compreensão das leis do mundo. A melhoria do bem-estar das populações é conseguida pela adequação proporcional dos recursos às necessidades dos povos, a qual beneficia do aumento dos conhecimentos da humanidade.

Ana Paula Sena disse...

Infelizmente, há quem não pense propriamente assim :((

Um abraço, Vasco! Boas férias, a ser o caso :))