segunda-feira, 18 de junho de 2012

a rosa é bela

ando eu a tentar arrumar papéis e mil e uma coisas acumuladas pelo tempo fora... não é fácil passear por entre tanto vestígio do que cai do tempo e se amontoa à volta, e ao mesmo tempo eliminar, deitar fora. um pequeno conflito que se vai resolvendo com algum empenho que é preciso cultivar. o engraçado, mas que não é novidade nenhuma - afinal, novidades absolutas não há -, é que subitamente dei comigo a pensar na quantidade imensa de coisas que acumulamos dentro de nós, ao longo desse mesmo tempo. portanto, nesta ordem de ideias, dei comigo a pensar que há certamente uma espécie de vistoria a fazer, porque tenho certamente uma data dessas tais milhentas coisas que não interessam para nada a ocupar-me o pensamento, a consciência e, quem sabe?, o inconsciente. não vou conseguir libertar-me de todas elas, mas se apagar umas quantas, talvez melhore o meu olhar sobre o mundo. pois, mas isso seria num outro universo, que não neste. aqui, a nossa memória retém tudo algures. mesmo sem darmos conta, fica tudo registado. já pensei na hipótese da reciclagem - reciclar conteúdos nocivos, tóxicos, e etc... induzi-los a uma metamorfose que é precisamente a do tempo que há em mim, e a que de mim há no tempo. vou investir mesmo aí, nessa actividade interior um bocadinho trabalhosa. que me permitirá (assim espero), à laia de exemplo que gosto de utilizar, olhar uma flor com prazer e encanto, mesmo sabendo que não tarda a flor vai morrer. afinal, é preciso não esquecer que também há flores secas. e essas duram muito mais.

6 comentários:

Rita Roquette de Vasconcellos disse...

e se quiser esquecer mesmo
www.emdr.com
:-)

bjinho

César Ramos disse...

Sem dúvida que somos Torres do Tombo de nós próprios.

Não há volta a dar: rasgar um papel amarelado do passado, é o mesmo que eliminar o futuro!

Adoro os meus jardins de flores secas, onde ainda passeio os amores de outros donos...

Mar Arável disse...

Há memórias

que não se extinguem
com um sopro

Ana Paula Sena disse...

parece deveras interessante.

muito obrigada, Rita :))

beijinhos!

Ana Paula Sena disse...

é um aspecto interessante, esse que refere, César: se devemos ou não esquecer... talvez seja necessária uma triagem dos eventos passados: guardar uns, esquecer outros; manter o importante, deitar fora o acessório...

que pena tenho eu de não ter um jardim. mas quando não se tem, inventa-se :))

Ana Paula Sena disse...

...queiramos ou não, Mar Arável :))