terça-feira, 3 de agosto de 2010

Uma ideia é como um vírus


Inception (em português A Origem) é um interessante filme de acção, suficientemente complexo e bem construído para chamar a atenção - portanto, a meu ver, digno de registo.
Perante ele, entramos no mundo da manipulação mais sofisticada, percorrendo as profundezas da mente, a partir de algo tão íntimo como os nossos sonhos. Neste caso, antecipa-se uma hipotética situação: a da possibilidade de sonhar em conjunto com outros.



A partir daqui, e com a arquitectura prévia desses sonhos partilhados, entretanto, assegurada, porque cuidadosamente concebida por mentes treinadas e adequadas ao objectivo, é toda uma descida a níveis cada vez mais profundos do inconsciente. O mundo é o do sonho dentro do sonho, e o do sonho dentro do sonho do sonho, ... penetrando cada vez mais num terreno labiríntico e perigoso, até chegar ao limbo.
Aspectos inquietantes ao nível da mente são abordados, em especial este princípio que é importante considerar: uma ideia é como um vírus. Uma vez implantada, tende a desenvolver-se de um modo nem sempre previsível ou possível de controlar.
Um outro universo Matrix que vale a pena ver neste Verão. 






Entrar no mundo de Inception  AQUI

Mais sobre o filme

8 comentários:

Spark disse...

Dois filmes que quero ver :)

Bj

Há.dias.assim disse...

Ainda não me senti motivada a vê-lo.
Quem sabe um dia...

C. disse...

Ana Paula,

Ainda bem que fez este post sobre o filme. Eu tentei mas as reflexões a que ele me conduziu eram mais que muitas e deu uma boa tertúlia, cá "por casa". Fui vê-lo ontem e confesso que me deixou a pensar na forma como nós concebemos o que, uns e outros, somos (produtos de ideias inculcadas? fruto de imagens que nos fizeram? personagens de sonhos que construimos?). A ideia da possibilidade de manipulação do inconsciente é um tanto assustadora e lembrou-me uma data de outros filmes. A possibilidade de o sonho poder efectuar-se em conjunto é uma ideia interessantíssima pelo que contém de confiança, risco e aceitação do "desconhecido" do outro.
Fez-me também pensar na Blimunda do Saramago e na recusa da personagem em "ver por dentro" o seu companheiro Baltazar.

Ainda vou andar muito tempo com isto tudo a bailar no espírito. Espero não necessitar de psicanálise de grupo.
:-)
:-)
Imperdível, este filme.

Beijinho

Spark disse...

Desculpa, um dos filmes que quero ver :P Estava a pensar noutro.

Beijo

Manuela Freitas disse...

Olá Ana Paula,
Já li alguma coisa sobre este filme, mas ainda não o fui ver. Colocam este filme, numa lista dos dez filmes que nos deixam mais perplexos, os outros são: O Ano passado em Marienbad (vi), Memmento (vi), 2001, Odisseia no espaço (vi), El Topo (não), PI (não), Toda a obra de David Linch (tenho visto), Clube de Combate (vi), Brazil (vi), A Máscara (Personna) (vi) e Blade Runner (vi). Concorda com esta lista?
Isto de serem os mais, obviamente que é sempre subjectivo!...
Beijinhos,
Manuela

Ana Paula Sena disse...

Spark: é de ver, digo eu :)

Há Dias...: eu gostei muito :)

C.: por aqui também deu grande tertúlia, assim como reconstituição de muitos detalhes, para assegurar que tudo era coerente.
É verdade, sonhar em conjunto, a ser possível, implicará grande dose de confiança por parte de todos os envolvidos - ver "por dentro"... parece-me um desafio dos maiores. Também suscita inúmeras reflexões, este aspecto e outros do filme. Daí o ter gostado dele. Também o achei muito bem arquitectado. São umas boas horas de entretenimento.
A relação com a Blimunda de Saramago(...) não me tinha ocorrido, mas é realmente um tópico de análise muito interessante.
Tudo isto também vai perdurar nas minhas reflexões :)
É que, de facto, a ideia de que o nosso inconsciente é o lugar mais recôndito da nossa mente, e, no entanto, acessível, é realmente perturbadora, no mínimo.
O tema é inesgotável...

Um beijinho grande, C.
Muito obrigada pelo comentário.

Ana Paula Sena disse...

Olá, Manuela,

Na verdade, acho que o filme suscita perplexidade. Por isso, parece-me que ficará bem figurar numa lista desse tipo. Por outro lado, a perplexidade está impregnada de subjectividade. Portanto, admito que outras pessoas não a sintam perante este filme.
A lista que refere (e que só conheço por si), parece-me bem, considerando, no entanto, que não vi alguns desses filmes. Em relação aos que vi, concordo, mas não os "arrumaria" todos no mesmo "saco".
Este "Inception" parece-me ter algo a ver com "Memmento", por ex., mas não classificaria "Personna" e "Blade Runner" do mesmo modo. No entanto, são dois filmes que acho excelentes. Mas... também são produções artísticas muito diferentes.

Uma ideia gira, Manuela, era cada um(a) fazer a sua própria lista de filmes, a partir desse critério da perplexidade. :)) Se quiser, diga...

Beijinho grande. Muito obrigada pelo comentário.

Manuela Freitas disse...

OLá Ana Paula,
Só agora vi este repto e muito gostaria de saber os filmes que lhe têm motivado perplexidade, podiamos fazer uma lista. Aceito, mas tenho que pensar no assunto. A perplexidade, nem sempre está ligada à subjectividade, não é? Eu também não colocaria no mesmo saco Persona e Blade Runner, mas que os dois me deixaram perplexa é um facto.
Beijinhos,
Manuela