quinta-feira, 20 de maio de 2010

Brain On: Universos paralelos?

Às vezes, até apetece passar para um universo paralelo. A ser possível, por certo colocar-se-ia a questão: voltar ou não voltar?
Esta entrevista já é de 2005, mas nem por isso deixa de ser uma oportunidade de participar do ritmo excelente da conversa com um comunicador brilhante: Michio Kaku.
Adolescente, eu era completamente fascinada pela hipótese de viagens no tempo, assim como pela possibilidade de existência de outros mundos. Bom, confesso que ainda sou bastante.
Quem pode afirmar que em ciência não há imaginação?! Ainda que tudo isto aguarde a necessária confirmação e, portanto, a exigível posse de provas, não deixa de ser algo muito provável. 
Tal como nos filmes que faziam as minhas delícias de adolescente, imagino-me em viagem a outro mundo... Uma vez nele, estou certa de que faria o que sempre faziam os meus heróis dessas sagas: voltaria ao meu mundo, neste caso, ao meu universo de origem, mesmo que fosse muito menos avançado. Suponho que algo assim só se explica pela relação afectiva desenvolvida com ele.



12 comentários:

Joaquim Santos Albino disse...

Bom dia. Se existirem, estes universos só serão paralelos à nossa sensibilidade, ou seja, para nós são imperceptíveis mas realmente habitamos também neles. Aqui está uma boa dica para aqueles que necessitam de acreditar num mundo espiritual. lol

Mar Arável disse...

Boa memória

via disse...

tem todo o interesse explorar o paralelo, nem que seja na imaginação!excelente!

Susn F. disse...

Poder partir e voltar. Ter a possibilidade de experimentar outras realidades. Dá-nos esperança.

beijinhos

vbm disse...

Ainda só 'vi-li' o primeiro vídeo. Michio Kaku é um excelente divulgador da ciência; os seus ensaios prospectivos das descobertas possíveis para este século 21 são um prazer superior a qualquer ficção científica.

Mas sobre os universos paralelos, o eventual multiverso do cosmos, sempre me coloco uma questão - que me parece relevante, mas se calhar não é - que é a seguinte: por muitos, variados e distintos universos que haja, acedíveis e comunicáveis, ou não, o ponto será sempre que,

aquilo que eu testemunho no meu universo - por exemplo, água, 1 átomo de oxigénio e 2 de hidrogénio -, será sempre uma realidade não infirmável numa explicação abrangente do todo existencial, pelo que,

por muitas realidades paralelas que existam, uma explicação do mundo não excluirá nada que ao nosso universo respeita. Logo,

no domínio do conhecimento, há uma realidade global única a explicar, ao fim e ao cabo, um só universo: aquilo que há.

A.C.Valera disse...

Ana Paula, esta sua entrada sugere-me um conjunto de comentários, mas vou moderar-me :).
Primeiro diria que não pude deixar de me lembrar do seu desagrado relativamente ao Avatar :).
Depois, diria que a apetência por universos paralelos é quase uma necessidade humana. Que foi satisfeita durante séculos, em que os universos paralelos que povoavam a Terra foram secumbindo à progressiva globalização, na qual Portugal foi, em determinada altura, protagonista de relevo. Hoje, o espaço e a ficção que alimenta é a continuidade dessa tendência e necessidade.
Li e imaginei alguém há 5000 a querer viajar através do seu cosmos; li e imaginei alguém no século XV a sonhar com o além mar; li e antecipei alguém, no século XXII a sonhar com ...
Reais ou virtuais, precisamos de universos paralelos. É neles que projectamos as nossas utopias, ou as nossas moralidades. O ser humano necessitade sempre do "outro".

Manuela Freitas disse...

Olá Ana Paula,
As nossas fantasias de adolescência levam-nos sempre para outros mundos e o sonho de conhecer novos mundos sempre é recorrente na nossa vida. Agora neste momento até apetecia ir para um universo paralelo!
Estive a ouvir Michio Kaku, que é de facto um comunicador excelente o que não quer dizer convincente, mas como eu nada sei, só o digo por intuição!
Quando foca a religião e faz uma ligação do Gênesis e do Nirvana, achei piada. Assim como ao lago dos peixinhos!...
Obrigada por me dar a conhecer assuntos que eu desconhecia.
Um bom fim-de-semana.
Beijinhos,
Manuela

C. disse...

Fascina-me a ideia de outros universos.
Acho que é preciso uma atitude de grande humildade para concebermos, sem arrogância, que pode haver intencionalidade no universo-ele-mesmo, e ser ele, portanto, o criador de si... Fascinante mas inquietante.

Adorei!

vbm disse...

Vi os outros dois vídeos da entrevista. É sempre muito sugestiva a analogia da passagem geométrica da segunda à terceira dimensão do espaço para imaginarmos como a nossa modesta realidade espaço-temporal se avera ainda integrável e plenamente inteligível num hipotético espaço hiper-dimensional. É o mínimo que nós humanos deveremos exigir de qualquer superior inteligência inumana que connosco porventura comunicasse.

Aquele novo satélite - Lisa -, que irá melhor "cartografar" a presença da força de gravidade que pode indiciar a real existência da "matéria negra" será um experimento notável... porque até agora há um grande cepticismo quanto a essa grandeza "explicativa" requerida para a funcionalidade do modelo do big-bang...

Há um blog, o Outra Física que prefere a hipótese de ser a nossa galáxia que se contrai em vez da do Universo que se expande, o que parece... mais simples e razoável :)) Mas, enfim, como eu costumo dizer, «Não é a Teoria que explica o universo,. é o Universo que explica a Teoria" :)

Ana Paula Sena disse...

Joaquim: muito obrigada pela sua visita e pela atenção dada aos vídeos :)

A mim, parece-me que há sempre muito para descobrir e explicar. Caso contrário, o mundo seria uma verdadeira pasmaceira. Mas, disso, não nos podemos queixar.

Volte sempre!

Mar Arável: obrigada :)

Via: beijinhos! :)

Susn F. : óptimo rever-te por aqui! Beijinhos :)

vbm (Vasco): eu sei que a dada altura, os físicos teóricos parecem estar dissociados da realidade, mas, por outro lado, se fizermos uma (até ligeira) revisão da História da Ciência, não nos faltará todo um conjunto de exemplos de inversão de paradigmas, rupturas, etc.
Tentando abarcar o que referes nos teus dois comentários (bem-vindos!), não me parece que o facto de existirem possíveis universos paralelos implique não serem válidas as explicações próprias do nosso universo e do que nele acontece. Digamos que a matéria pode organizar-se de muitas formas, sendo a nossa uma entre outras. No fundo, esta relativização do nosso universo, enquanto descentralização do mesmo, é algo que "repugna" ao confrontar-se com as nossas crenças, mas penso que do ponto de vista da razão poderá ser uma hipótese não só interessante como bela, além de possivelmente comprovável. Aguardemos pelas pesquisas a efectuar com o LISA. Se nada for comprovado, tal como diz o Michio Kaku, será preciso começar tudo de novo...
O admirável é que não se desista!

Um abraço :)

Ana Paula Sena disse...

António Carlos: é certo que todo este processo de intercomunicação implica alguma moderação; muitas vezes tenho pensado no "alcance versus superficialidade" da blogosfera e afins. Mas isso é outra história :)

Por outro lado, recapitulando até aos tempos do Avatar... é verdade, não gostei do filme, ainda que do ponto de vista tecnológico (3D) tenha sido o que de melhor vi. As minhas críticas passam por outros aspectos, tais como o argumento, a pseudo-mensagem ambientalista, etc. Talvez as minhas expectativas fossem elevadas, o certo é que me pareceu um argumento absolutamente convencional, e não gostei da óbvia manipulação subjacente a toda a história - questões de gosto e sensibilidade pessoal, certamente. Agora, o que me pareceu deveras obsceno, foi o dinheiro gasto para supostamente nos trazer uma mensagem de defesa do ambiente, quando, na verdade, muito mais sério e importante teria sido fazer um grande documentário sobre a Amazónia, por ex. - questões pessoais de uma cidadã global, obviamente. Mas, claro, em que mundo estou eu?! Trata-se de um negócio, no contexto de uma indústria imbatível, ainda que nos ofereça muito de bom, por vezes.

Mas... voltando à questão inicial, que as minhas críticas ao referido filme estão longe de significar desinteresse pela ciência e pela ficção científica, era o que queria dizer-lhe. Pelo contrário, sou fã. Mas... ainda não apareceu um alien tão interessante (e até credível) como um Mr. Spock, no Star Trek, ou mesmo um Captain Kirk como humano do futuro. :)) - questões de gosto pessoal, claramente.
Depois, em termos neurológicos, o filme teve em mim um efeito: provocou-me uma terrível sonolência, não só pelo excesso de estímulos visuais (o que se traduz num apagamento do raciocínio e da atenção), como pela previsibilidade do desenrolar da acção - enfim, cada caso é um caso, e as pessoas reagem de formas, por vezes, diferentes.

Concordo: o ser humano precisa sempre do "outro", e essa alteridade é o mais fascinante da nossa condição, seja ela a do outro que convive connosco no dia-a-dia, seja a de um universo contíguo ao nosso, mas que não conhecemos e não entendemos parcial ou integralmente.

Obrigada pelo comentário. Um abraço :)


Manuela Freitas: obrigada pela atenção e pela apreciação! Aquela dos peixinhos é muito engraçada, é verdade. E a hipótese de conjugar o Nirvana com o Genesis, hummm... uma ideia interessante apesar de parecer um pouco estranha. Nos tempos que correm, também oportuna, já que vivemos uma época de novos fundamentalismos.
É sempre um prazer partilhar consigo!
Obrigada e um beijinho :)


C.: gostei muito desse apontamento relativo à humildade :) Concordo contigo. Obrigada por estares presente.

Um beijinho grande!

vbm disse...

Universos paralelos jamais relativizarão o nosso próprio universo, antes integrá-lo-ão numa explicação de dimensão superior.

Se se provar ser o vazio do espaço sideral como que o reverso uma ignota e imensa realidade material desprovida dos átomos que nos formam e às estrelas,

ainda assim, todo esse outro universo paralelo deverá compor-se com o nosso numa só representação inteligível da realidade sob pena de absoluta inacessibilidade.

O experimento do LISA confirmará ou não essa tal presença de massa gravítica, coexistente com o nosso mundo de átomos. E se a 'travessia' se averar impraticável, restar-nos-á sempre a álgebra imaginária dos números complexos... :)