quinta-feira, 29 de abril de 2010

Preocupações

Música à parte, notícias preocupantes não faltam. Sinceramente, não sei com o que hei-de preocupar-me mais: se com a situação financeira do nosso país, se com o que se vai passando na Comissão de Ética no Parlamento (daqui resultam certas informações vindas a público que chegam a ter um efeito estupefaciente nas mentes dos menos avisados). Por outro lado, preocupações mais abrangentes parecem surgir da possível inversão do campo magnético da terra. Dizem-me colegas das ciências que há alguma base científica para este fenómeno. Foi assim que decidi investigar melhor a questão. Para lá das visões catastróficas que alguns consideram relacionadas com o calendário Maia, em especial para o ano de 2012, tentei vencer o meu cepticismo. Claro, fiquei preocupada: não sei se esta inversão do campo magnético da terra é para já, ou para muito mais tarde; não sei se terá efeitos moderados ou graves; verifiquei que pouco se sabe sobre o interior da terra; apercebi-me (se dúvidas ainda tinha) de que é tudo muito frágil, inclusive o nosso planeta; e por aí fora, numa preocupação sem limites...
Num plano imediato, uma pessoa preocupa-se com os filhos e consigo mesma, ou seja, com as gerações mais próximas, onde ainda se incluem os netos (reais ou hipotéticos); mas, a partir de uma certa altura, a preocupação transita para o domínio da espécie. Pensar que este planeta é a nossa casa, e que não temos outra... parece extraordinário não ponderarmos nisso diariamente e a cada instante.
Posto isto, o que eu gostava era de não me preocupar, mas, por outro lado, só um ser indiferente e inconsciente não se preocupa. E a uma ética do cuidado (aquela que nos leva a cuidar de alguma coisa) talvez não faça mal uma boa dose de preocupação.

 No entanto, depois de ver este vídeo, fiquei bastante mais descansada. Se ao menos em relação a outras preocupações, tudo fosse também assim inofensivo...




 Imagem  Daqui

6 comentários:

A.C.Valera disse...

Cuidar do efémero. Um dos grandes paradoxos de se ser humano.

vbm disse...

Frágil o planeta e a vida...

E incerto, também, o pensamento
e a acção do homem.

Bom, guardar o canto e a dança
de um Zorba, o Grego, aquela
do filme de Anthony Quinn,
face a grave insucesso!

:)

Mar Arável disse...

é preciso combater

a indiferença

Bj

Manuela Freitas disse...

Não faltam coisas para nos preocupar, não só no presente, como com o futuro. Somos demasiado informados para não nos preocuparmos e, com todo o peso que sentimos, deitamos a mão á cabeça tentando filtrar o que é verdade, preocupando-nos com a avalaiação da nossa preocupação!...
Bj,
Manuela

poemar-te disse...

Sabe Ana Paula, a Natureza é o grande mistério; alguns pensam conhecê-la, os mesmos e outros desprezam-na. Todos os dias ela nos avisa da sua presença. Para além das alterações da mesma, causando modificações no planeta e no indivíduo, há as que nós provocamos ingenuamente e as que os dementes do lucro e da ganância cometem, de uma forma despudorada (Amazónia, rio Sabor...etc. A mim preocupa-me a "ciência e a técnica predominantes". Já reparou na quantidade de "estudos" que se publicam? Sobre as alterações naturais, sobre medicamentos, sobre... Manipulações, jogos de interesses. Qual a força da ética?Quanto à espécie: "alguém ficará para contar". Estamos condenados ao dia-a-dia. Pessimista?... Não vejo sinais contrários, mas não sou viajado (nem no meu país) e é preciso procurar quem pensa e age ao contrário - os sábios, que os há, sossegadinhos na sua intranquilidade. Lembra-se de Una bomber? É desses que falo. Fica uma referência pra quem pretender conhecê-lo. A Ana Paula conhece, de certeza. E, noutra dimensão, há também umas pessoas curiosas - os Yesmen - http://theyesmenfixtheworld.com/http://www.eco-anarquista.org/traducao009.htm. Talvez esses e outros sejam sinais de que nem todos estão concordantes; há sempre o verso e o reverso. Obrigado pela sua publicação, fez-me lembrar, afinal que talvez haja alternativa, se houver tempo. A Natureza é que manda. Perdoe-me a desconexão do discurso. Faço um esforço enorme para escrever e ler ao computador e não só. Tudo de bom.

Ana Paula Sena disse...

Concordo, António Carlos: um paradoxo que não deixa de tornar a condição humana fascinante :)

É tudo muito frágil mesmo, Vasco. Mas Zorba o Grego continua a ser um grande filme. Eu diria que é daqueles que resistem :)

Não pode existir mais tempo e espaço para a indiferença, Mar Arável :)


É verdade, Manuela, somos demasiado informados para não nos preocuparmos. Apesar de tudo, pode tornar-se algo positivo já que conduz a uma maior consciencialização dos problemas. Agora, o que não deixa também de ser necessário, é desenvolvermos formas de auto-defesa, sob pena de não resistirmos.

Beijinhos :)

Poemar-te (Jota): confesso, não conhecia... Mas agradeço-te os alertas. De facto, a minha linha é muito mais a de Gandhi e do seu princípio de resistência pacífica. Quer dizer, repudio qualquer forma de violência, ou de actos que dela se aproximem, na medida em que apenas potenciam o sofrimento já existente nos seres humanos.

Abraços para todos!