quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Genética e evolução

Michael Ruse é um filósofo da ciência, entusiasta e cativante para as grandes questões. Tem a capacidade de comunicar, dirigindo-se ao grande público. No seu estilo descontraído, embora rigoroso, coloca, por exemplo, a questão: "Pode um darwinista ser cristão?", sendo este o título de um dos seus livros. Esteve em Lisboa, em Janeiro de 2009, para uma conferência integrada nas comemorações do Ano Darwin.
De referir que Michael Ruse veio a tornar-se mais conhecido do grande público, sobretudo pelo seu determinante testemunho num interessante caso que opôs evolucionismo e criacionismo, designado por "McLean contra Arkansas". Em concreto, este processo judicial averiguava acerca da legitimidade de ensinar, nas escolas públicas norte-americanas, uma teoria que se propunha ser ciência, sem respeitar os critérios que determinam se algum tipo de conhecimento é ou não científico: o chamado Projecto (ou Design) Inteligente. Neste caso, Ruse posicionou-se a favor das exigências da ciência. No entanto, continua a aprofundar toda esta problemática, já que soluções simplistas não são aqui possíveis, no seu entender.
Neste processo, entre muitos e interessantes aspectos acerca da ciência nele abordados, interessou-me a perspectiva (e respectivas provas) da genética. É assim que podemos verificar que o nosso parentesco com os grandes primatas ficou provado, algures no par de cromossomas 2 do nosso código genético (genoma humano). Na verdade, ao compararmos o n.º de cromossomas do ser humano com o deles, verifica-se que apenas nos separa a diferença entre 46 cromossomas (organizados em 23 pares), contra 48 (24 pares) dos gorilas, chimpanzés, orangotangos. O que nos é explicado - se, em rigor, existe uma relação entre ambos os códigos genéticos (um antepassado comum) -, é o facto de ter ocorrido a união de 2 pares de cromossomas no homem, no decurso do seu passado evolutivo. Portanto, o cromossoma que falta (simplificando), não desapareceu, fundiu-se com outro.
Como se chegou a tal conclusão, é isso que pode ver-se neste excerto de um interessante documentário (ver video), que reconstitui todo o processo "McLean contra Arkansas".
Em consequência das provas apresentadas, a decisão final foi a de impedir o ensino da perspectiva criacionista, enquanto teoria fundamentada cientificamente, aqui designada por Design Inteligente.
Quanto à questão colocada por Michael Ruse, "Pode um darwinista ser cristão?", a sua resposta é: "Sim". Evidentemente, o tema constitui uma história interminável... E ainda bem.






Mais sobre Michael Ruse AQUI

Mais sobre "McLean V. Arkansas" AQUI

Nota: embora tendo nascido em Birmingham, Michael Ruse é canadiano por naturalização.

8 comentários:

ARTISTA MALDITO disse...

Olá, Ana Paula

Logo volto para comentar esta publicação, venho dar-lhe os bons-dias e desejar-lhe continuação de boas férias.

Um beijinho muito matinal com o som da alvorada,
Isabel

Violeta disse...

"Pode um darwinista ser cristão?"
Espero que sim!
Um tema que dá pano para mangas...
bjs

Contracena disse...

Ainda hoje, não sei se sou agnóstica ou ateia. Algo, que apesar de tudo, no presente, não me incomoda.
Acredito na Ciência.
Valeu a pena ver o vídeo.
Beijo.
Fátima

observatory disse...

anaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

vamos voltar ao mesmo?

e o que teria cristo contra darwin?

o que? :)))))


eu nao sou filho de adão nem de abraão

sou filho de eva.:))))

acredite.


a serio :))))))

Austeriana disse...

Apesar de haver quem considere que o darwinismo e as novas tecnologias tornaram a teologia sistemática obsoletas e mesmo perante os argumentos de peso apresentados, conheço darwinistas genuinamente cristãos. Por isso, a minha resposta só pode ser afirmativa. Aproveito para lhe dar os parabéns pelo escrito e pelo manacial de informação recolhido. Ontem, fui até alguns dos sítios referenciados e hoje vou tentar arranjar um tempinho para ler o resto. A informação é muita e densa e necessita de "digestão"! Excelente post. :)

Maria Josefa Paias disse...

Nas mensagens que envio por "mail" consta quase sempre uma frase de um filósofo, sábio, poeta, etc. Uma delas é de Schopenhauer: "Desejar o mínimo possível e saber o máximo possível", de que me apropriei como lema de vida. Assim sendo, procuro saber tudo acerca de tudo, do criacionismo ao evolucionismo, do teísmo ao ateísmo, do agnosticismo ao gnosticismo, do personalismo cristão ao materialismo histórico, etc. O que, muitas vezes, me faz sair da minha postura e "compostura" serena, é o catolicismo romano e a sua falta de senso para lidar com os problemas de hoje. Não confundo cristianismo com catolicismo. Jesus de Nazaré (cristo=ungido com os óleos sagrados) era judeu, e o legado que deixou, por ser diferente, chama-se, legitimamente, cristianismo. Mas muitos dos valores que pregou encontramo-los em filósofos gregos e em sábios gregos, romanos e orientais que viveram muitos séculos antes de Cristo.
O catolicismo, por seu lado, é uma interpretação do que foi dito e transmitido, oralmente, durante o 1.º século desta era, feita por Paulo de Tarso, um perseguidor de cristãos até ao episódio da estrada de Damasco. Portanto, o catolicismo é o cristianismo como Paulo de Tarso (S. Paulo) o interpretou e o fixou. A partir daí o que não tem faltado são exegetas, para todos os gostos, dessa exegese de Paulo.
A meu ver, qualquer cristão que NÃO pertença a uma igreja radical, parada no tempo, que prefere o suicídio colectivo a tomar conhecimento dos avanços no domínio da ciência, da filosofia e de todos os outros saberes, que se rege unicamente pelo conteúdo literal da Bíblia, só pode estar aberto ao conhecimento em geral e, simultaneamente, ir à missa, rezar, comungar, porque o fará com certeza com outra clarividência.

vbm disse...

Numa série televisiva recente, é descrita a existência no tempo de vinte espécies diferentes de hominídeos; duas coexistiram, e sobreviveram milhares de anos, alimentando-se de raízes, abundantes por todo lado. Porém, enquanto a espécie que nos precedeu começou a "provar" carne, além das raízes, a outra manteve a dieta milenária. Assim, a carnívora viu o cérebro desenvolver-se até os 1400 cm3 actuais, enquanto a outra quedou-se pelos 500 cm3 e finalmente extinguiu-se! Enquanto do passado se conhece tantas mudanças, geológicas e zoológicas - por exemplo, o mar Mediterrâneo já secou e voltou a encher-se várias vezes ao longo de milhões de anos! -, já do futuro se ignora que desenvolvimento, progresso ou retrocesso, ocorrerá... É grande a precariedade da vida... mas o processo replicativo das células do ADN é verdadeiramente... "canceroso"! Tudo se multiplica, replica, desdobra em cópias inumeráveis de si próprio :)) sem outra finalidade aparente do que a pura afirmação de si, apenas limitada pela contraditoriedade de outro desenvolvimento com que se cruze, gerando de tal acaso, efeitos imprevisíveis... :)

clanDestino. disse...

Salve Darwin!!!

D.