sábado, 9 de junho de 2012

Prometheus

Ridley Scott está de volta com mais uma tremenda aventura situada num possível futuro da humanidade. Quem lembra Blade Runner, ou Alien - O 8º Passageiro (e sequências), tem agora oportunidade de encontrar em Prometheus as esperadas (ou não) reminiscências desses filmes de culto - a boa ficção científica fundida com o terror da saga Alien. Eu sou apreciadora do género, embora aqueles seres tremendos com os quais a Sigourney Weaver lutou me provoquem, obviamente, a maior repugnância e horror. Claro, quem os imaginou e criou para o cinema, não o fez por acaso. Mas isso é outra história. Em Prometheus, esses seres absolutamente repugnantes e horrendos dão um ar da sua graça. Quero dizer com isto: aparecem, mas não dominam em absoluto a narrativa. O que pode ser decepcionante para alguns. Para mim, é um aspecto positivo. O filme consegue ser mais profundo e problemático (e, até certo ponto, metafísico), ao colocar perante o espectador alguns temas de sempre, e outros cada vez mais pertinentes e actuais: desde logo, somos confrontados com a ilimitada curiosidade do ser humano, levados a questionar o papel da ciência no futuro da humanidade, e a inquietarmo-nos, curiosos, perante o mistério e o desconhecido: de onde viemos?, porque estamos aqui?, quem (ou o que) nos criou? - ou seja, também uma boa dose de criacionismo versus evolucionismo; mas o filme é igualmente um olhar sobre as possíveis relações entre humanos e robôs, na medida em que estes parecem tornar-se cada vez mais parecidos connosco - neste ponto, é de destacar a excelente interpretação de Michael Fassbender no papel do andróide David, actor de quem já tinha a melhor opinião, a partir da reconstituição do seu Jung em Um Método Perigoso de David Cronenberg.


Do ponto de vista da imagem, Prometheus é esplendoroso e perfeito. Vi o filme a 2D, mas os apreciadores do 3D têm possibilidade de entrar neste universo com maior impacto ainda, suponho.


No entanto, a grande cena, a que ficará certamente para a história, é protagonizada por Noomi Rapace - que já tinha chamado a atenção em Millennium 1. Os Homens que Odeiam as Mulheres. Trata-se de uma cena que envolve uma louca cirurgia, realizada em condições totalmente radicais, experimentando os limites da sobrevivência - só para quem consegue ver! eu tapei um pouco os olhinhos... mas, depois, abri-os!


O filme tem as suas limitações, assinalo. Nomeadamente, deixa as interessantes questões que coloca apenas a pairar, sem lhes dar a densidade esperada. A partir de certa altura, dá-nos a certeza de que ficou uma porta aberta para a continuidade da saga - um Prometheus 2, pois claro. Por mim, seriam dispensáveis algumas cenas e certos tiques do género ficção científica, quero dizer, tudo o que compromete a possibilidade de tornar este filme verdadeiramente inovador do ponto de vista da narrativa. Mas é preciso pensar no objectivo "sucesso de bilheteira" - dirão eles, certamente.


Uma nota ainda para o design dos cenários e dos seres fantásticos e horrendos: criado a partir dos delirantes pesadelos surrealistas (digo eu) de HR Giger (tal como na série Alien) - verdadeiramente fantásticas!, as naves espaciais, vedetas também deste filme.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

é só um minutinho


para esticar o tempo



o eu dos médecins-philosophes


Queria fazer-lhe uma pergunta, disse o doutor Cardoso, o senhor conhece os médecins-philosophes? Não, confessou Pereira, não conheço, quem são? Os principais são Théodule Ribot e Pierre Janet, disse o doutor Cardoso, foram os textos deles que estudei em Paris, são médicos e psicólogos, mas também filósofos, defendem uma teoria que me parece interessante, a da confederação das almas. Explique-me essa teoria, disse Pereira. Pois bem, disse o doutor Cardoso, acreditar que somos uma unidade independente, destacada da incomensurável pluralidade dos próprios eus, representa uma ilusão, aliás ingénua, de uma alma única de tradição cristã; o doutor Ribot e o doutor Janet vêem a personalidade como uma confederação de várias almas, porque a verdade é que temos várias almas dentro de nós, uma confederação que aceita o domínio de um eu hegemónico. O doutor Cardoso fez uma pequena pausa e depois continuou: O que se chama a norma, ou o nosso ser, ou a normalidade, é apenas um resultado, não uma premissa, e depende do controlo de um eu hegemónico que se impôs na confederação das nossas almas, caso surja um outro eu, mais forte e mais poderoso, ele vai destronar o eu hegemónico e tomar o seu lugar, passando a dirigir a coorte das almas, ou melhor a confederação, e essa superioridade mantém-se até ser destronado por seu turno por outro eu hegemónico, por ataque directo ou por uma paciente erosão. Talvez, concluiu o doutor Cardoso, depois de uma paciente erosão haja um eu hegemónico que está a assumir a chefia da confederação das suas almas, doutor Pereira, e o senhor não pode fazer nada, o mais que poderá fazer é apoiá-lo. (...) talvez haja dentro de si um eu hegemónico que, depois de uma lenta erosão, depois de tantos anos passados no jornalismo a escrever os casos do dia crendo que a literatura fosse a coisa mais importante do mundo, (...) está a tomar a direcção da confederação das suas almas, deixe-o vir à tona, até porque não pode fazer de outra maneira, não o conseguiria e entraria em conflito consigo próprio (...).
Antonio Tabucchi, Afirma Pereira 

Ray Bradbury (1920-2012)


 


quarta-feira, 6 de junho de 2012

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Fly:


é o que quero fazer. mas só quando o trabalho abrandar. agora, é o tempo que voa: "this is your captain speaking" !




domingo, 3 de junho de 2012

pequenino e inútil


[é preciso não compreender. depois de não compreendido, está entendido]

Mas miniaturizar é também ocultar. Duchamp, por exemplo, também se sentiu sempre atraído pelo extremamente pequeno, quer dizer, por tudo o que exigisse ser decifrado: emblemas, manuscritos, anagramas. Para ele, miniaturizar significava também tornar inútil: «O que está reduzido encontra-se de certo modo livre de significado. A sua pequenez é, ao mesmo tempo, um todo e um fragmento. O amor pelo pequeno é uma emoção infantil.»
Enrique Vila-Matas, História Abreviada da Literatura Portátil

sábado, 2 de junho de 2012

(quase) tudo dito

encontrei a frase em destaque mais abaixo no Espaço Concas. nele está patente parte da obra plástica da pintora Concas, Maria da Conceição Nunes (1946-1991). o espaço está integrado no núcleo museológico Centro de Artes das Caldas da Rainha - Ateliers Municipais. 
ao entrar, o meu olhar procurava quadros, pinturas que me mostrassem olhares sobre o mundo - para aproveitar o momento, interregno de um quotidiano mais repetitivo. mas o que de imediato vi, foi isto. e gostei. continuo a ser atraída por palavras. sobretudo quando elas funcionam como palavras-íman. o caso destas. então, pareceu-me que ficariam bem aqui no Catharsis. conseguem condensar os motivos que continuam a levar-me a fazer um blogue.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Thrihnukagigur

interior do vulcão Thrihnukagigur - Islândia




os vulcões são realmente interessantes. nunca observei nenhum entrar em erupção (in loco), mas talvez devido ao belo horrível que envolvem, sempre me interessei em saber alguma coisa sobre eles. os vulcões têm uma história. uns estão calminhos, e outros em fúria - permanente ou ocasional. nunca pensei, no entanto, que uma viagem ao interior de um vulcão pudesse converter-se num roteiro turístico, implicando uma verdadeira descida a um lugar oculto da terra (percorrem-se 120 metros). nunca me ocorreu... mas é precisamente isso que é agora possível. pelo menos, se tivermos como destino o vulcão Thrihnukagigur (complicado, escrever este nome), na Islândia. claro, este é um vulcão adormecido. e há uma equipa de especialistas que consegue tornar tudo isto possível. o passeio está a cargo do operador turístico 3H Travel.  
para quem goste, queira, e possa, fica a sugestão. eu só gostaria de... mais informações podem obter-se em Inside the Volcano. há alguns vídeos disponíveis sobre o local, e mesmo um que mostra a descida até à fantástica câmara magmática. deve ser uma sensação única! iluminando o local, tornam-se visíveis cores que ali mostram uma outra face deste nosso mundo.

here is a song for you


Olá Junho


Blue, songs are like tattoos
You know I've been to sea before
Crown and anchor me
Or let me sail away

Hey Blue, here is a song for you
Ink on a pin
Underneath the skin
An empty space to fill in

You've got to keep thinking
Well there're so many sinking now
You've got to keep thinking
You can make it through these waves
Acid, booze and ass
Needles, guns and grass
Lots of laughs, lots of laughs

Everybody's saying that hell's the hippest way to go
Well I don't think so
But I'm gonna take a look around it though
Blue, I love you

Blue, here is a shell for you
Inside you'll hear a sigh
A foggy lullaby
There is your song from me

 

Regresso ao futuro

Muitas vezes, diz-se: nunca regresses a um lugar onde já foste feliz. Mas como não procurar todos os lugares que nos parecem compatíveis com...