sexta-feira, 25 de maio de 2012

the man I love



cantar o homem que se ama fica bem em qualquer língua
 



quinta-feira, 24 de maio de 2012

Martha Nussbaum

Martha Nussbaum by John Springs


À filósofa norte-americana Martha Nussbaum foi atribuído o Prémio Príncipe das Astúrias para as Ciências Sociais 2012. Professora na Universidade de Chicago, defende o papel das humanidades na educação como elemento imprescindível para a qualidade da democracia. Entre outros aspectos assinaláveis, o júri destacou a sua concepção universal dos direitos da mulher para superar os limites do relativismo cultural. 


Uma vida examinada - a filosofia está nas ruas: com Martha Nussbaum 
 


quarta-feira, 23 de maio de 2012

à procura da chave do mistério


Drawers of Memory, Salvador Dali (1965)


The fault... is not in our stars,
but in ourselves...
Shakespeare


Our story deals with psychoanalysis, the method by wich modern science treats the emotional problems of the sane. The analyst seeks only to induce the patient to talk about his hidden problems, to open the locked doors of his mind. Once the complexes that have been disturbing the patient are uncovered and interpreted, the illness and confusion disappear... and the devils of unreason are driven from the human soul.


é assim que começa Spellbound ou A Casa Encantada, um filme de Hitchcock que data de 1945. tendo como pano de fundo a psicanálise, o filme mostra-nos uma interessante sequência de um sonho inspirada em desenhos de Salvador Dali. eu gosto de filmes antigos e alguns merecem ser revisitados. é o caso. 

 

domingo, 20 de maio de 2012

sexta-feira, 18 de maio de 2012

gravidade: apenas uma teoria


por vezes, eu diria que sim 

imagem de FreethoughtPedia


  

ler devagar

tenho andado a ler bem devagar as seis conferências dadas por Orhan Pamuk na Universidade de Harvard, reunidas e publicadas entre nós sob o título O Romancista Ingénuo e o Sentimental. tal título deve-se ao facto de o escritor, nestas suas conferências, partir do ensaio de Schiller, Sobre a Poesia Ingénua e a Sentimental. a leitura lenta deve-se a alguma falta de tempo, mas tem as suas vantagens. desde logo, a de poder apreciar toda a temática em causa tal como se degusta uma espécie de vinho literário. as referências são muitas e, a cada passo, Pamuk reenvia-nos para outros textos - exigindo alguns deles uma consulta que se faz também devagar.
entre muitos aspectos eminentemente interessantes do ponto de vista literário, e até filosófico (atendendo ao terreno sempre fértil das relações entre filosofia e literatura - semelhanças possíveis, demarcações inevitáveis, etc); entre todos eles, encontrei um que me interessa particularmente, uma vez que agita a questão que muitas vezes me inquieta acerca do actual poder da imagem, e consequente redução dos hábitos de leitura. este fenómeno tem um peso fortemente significativo no caso das gerações mais jovens. daí, também, o meu interesse pelo assunto. pois então, de que aspecto estou a falar, presente nestas conferências do escritor turco? trata-se da analogia entre o pintor e o escritor. a dado passo, por ex., lembra-se a expressão de Proust: "Mon volume est un tableau". e, portanto, pergunta-se: escrever como quem pinta... é possível? escrever é criar imagens. mas as literárias exigem uma considerável extensão no tempo para serem criadas. está em causa um tipo de atenção diferente, quer da parte do escritor, quer da do leitor. diz Pamuk que tal se deve às características específicas da escrita e da leitura em geral, e das de romances, em particular - o ambiente criado, a atmosfera do romance, contém imagens. mas elas não podem ser dadas de uma só vez, como acontece na pintura. um quadro apresenta-nos uma história, e ela está toda ali, naquele espaço. o romance, no entanto, requer tempo - o necessário para ir criando a imagem geral, constituída por mil e um detalhes, cuidadosa e paulatinamente revelados. 
a relação entre imagens e palavras (escrita) sempre cativou a minha atenção. as conferências de Orhan Pamuk têm sido um excelente contributo para reflectir mais e melhor sobre o assunto. para o corroborar, vejamos o que diz utilizando duas categorias filosóficas fundamentais...

Permitam-me que utilize esta distinção a fim de articular a minha própria concepção de romance. Os romances, como os quadros, apresentam momentos que foram, por assim dizer, congelados. No entanto, os romances contêm mais do que apenas um desses momentos pequenos, indivisíveis (semelhantes aos momentos aristotélicos): proporcionam ao leitor centenas, dezenas de milhares. Quando lemos um romance, visualizamos esses momentos formados por palavras, esses pontos do Tempo. Ou seja, transformamo-los em Espaço na nossa imaginação.
Orhan Pamuk, O Romancista Ingénuo e o Sentimental

quinta-feira, 17 de maio de 2012

ilhas e pontes

que cada um de nós seja uma ilha parece por demais evidente. estou a pensar concretamente numa radical incomunicabilidade entre os seres. afinal, até que ponto posso afirmar que consigo comunicar completamente o que penso ou sinto a um outro? quando a mensagem, digamos, chega ao outro, não posso saber exactamente como é que ela é recebida, mas imagino que sofra transformações várias. esta questão, só por si, levaria longe... mas o que quero colocar como tópico de reflexão é o inverso. ou seja, a comunicabilidade que nos caracteriza. e pegando na imagem da ilha, cada um de nós uma, sim, é possível, mas ligada a outras ilhas por muitas pontes. agora, imaginando cada um de nós desenhado segundo esse modelo - com a infinita quantidade de ilhas e, ainda mais, com a proliferação em número praticamente incalculável de pontes... estamos perante um cenário que nos transporta para um nível de complexidade crescente, e até assustador - porque fora do nosso controlo absoluto. mas é assim que existimos hoje: em rede, numa fantástica rede que se tece de modo cada vez mais detalhado. na fina rede neuronal e seus rendilhados, o instante comunicacional brilha a cada sinapse. podemos obter hoje imagens que nos mostram essa actividade cerebral (ainda misteriosa). salvaguardando o facto de que esta analogia tem as suas limitações, a verdade é que as redes sociais seriam muito mais giras se a cada momento de partilha ou de mero tomar nota de... alguma coisa brilhasse. teríamos, então, acesso a um FB (por ex.) muito luminoso. se isto é real comunicação, é outra história. faltaria pensar e definir real comunicação. poderemos reduzi-la a algo talvez mais óbvio? comunicar é transmitir informação. e é tudo? pois é neste ponto que me sinto reenviada à afirmação inicial: cada um de nós é uma ilha.

cérebros e galáxias

A imagem abaixo pretende representar o cérebro. Encontra-se em Infinity Imagined - que é onde podem ver-se muitas outras imagens magníficas. Lá, coloca-se uma interessante questão: que relação existirá entre redes de neurónios e aglomerados de galáxias?
Não deixo a resposta, claro está (quem pode tê-la por inteiro?!). Mas fica o convite para um excelente passeio pelo micro e macro Cosmos.




a Terra

O satélite russo Elektro-L captou recentemente aquela que é considerada a imagem mais nítida de sempre da Terra. Faz-nos falta olhar a Terra de uma outra perspectiva. Este pequeno lugar do universo parece-nos especial, não só porque o habitamos, mas também porque as suas cores são as da vida. É apenas um lugar nos confins da Via Láctea, mas o que da Terra nos é revelado, a partir desta e doutras imagens, contribui para alargar a consciência da urgência de uma ética do cuidado.